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Grande educador Serafim das Neves

Grande educador Serafim das Neves

Edição de 21.06.2006 | E-mails do outro mundo
Grande cena aquela dos corta-fitas na Feira Nacional da Agricultura. Já não via uma coisa assim desde os tempos do Américo Tomáz, o último presidente da República do Estado Novo, um especialista de alto gabarito na arte de cortar-fitas e papar almoços. É isto que eu admiro no Portugal moderno. A capacidade das organizações para preservar as tradições – olha, esta rimou. A CAP não se limitou a recriar os antigos tempos da lavoura nacional. Houve carros de bois a sério, figurantes vestidos de trabalhadores agrícolas, sacholas, ancinhos, foices… mas a viagem à memória de outros tempos não estaria completa sem o cerimonial do corta-fitas. Foi a cereja em cima do bolo. Só faltou mesmo que um dos autarcas arregimentados para tão nobre actividade envergasse uma farda branca da Marinha.Serafim, tu reparaste bem na subtileza com que foi marcada a diferença entre os tempos da outra senhora e os tempos que vivemos??!! Um primor de bom gosto. Onde antes havia um senhor todo-poderoso a quem era confiada a única tesoura que retalharia a fita, houve agora uma dezena de ilustres com uma cesta repleta de tesouras. Em democracia todos temos os mesmos direitos. Mesmo quando se trata de algo aparentemente simples como cortar uma fita ou deglutir um bom almoço regional. E foi lindo ver ali, lado a lado, de tesourinha nas unhas, representantes eleitos do povo de cores políticas diferentes. Todos unidos no mesmo entusiasmo inauguradeiro. Todos dispostos a colaborar num acto oficial tão marcante. Assim sim! Nada de guerrinhas partidárias. Nada de tricas. Quando os nossos políticos decidem unir esforços é o que se vê. Em menos de um fósforo a fitinha ficou em tiras. Se o gesto for transportado para o trabalho diário não vai restar problema para resolver. Mas há mais. Na era da globalização é necessário primar pela diferença e pela originalidade, mas também pela firmeza de princípios. O Ministro da Agricultura ficou de fora da Feira. E ficou muito bem. Quem não dá subsídio não entra, que ali não há borlas para ninguém. Eu aplaudo a mãos ambas porque já estou farto de paninhos quentes, atitudes politicamente correctas e diplomacias de pacote. Se eu não gramo um caramelo por que raio hei-de convidá-lo para me estragar a festa? O pessoal da CAP é cá dos meus. Só não me inscrevo como sócio porque não sei preencher os formulários para as candidaturas às agro-ambientais. Serafim, conta comigo para esse voluntarioso gesto de avaliação das professoras. Tal como tu também estou nesse ramo de actividade desde os tempos da Escola Secundária. Enquanto tu te debruçavas sobre o decote da professora de Físico-Química, com os já relatados prejuízos para a tua evolução académica na área das ciências, também eu avaliava, poro a poro e curva a curva, as pernas da professora de História. Pena foi que, apesar da altíssima classificação que lhe atribuí a ingrata tenha decidido chumbar-me. Com avaliadores como nós a paz social vai reinar no sector da educação. A Ministra da Educação fica satisfeita por saber que o assunto está em boas mãos e os sindicalistas poderão dormir tranquilos porque não vai haver chumbos. E como nestas coisas tem que haver cedências de parte a parte, penso que a tua sugestão de excluir da avaliação as professoras com mais de quarenta anos e as que têm dívidas excessivas à beleza, bem como todos os professores, irá ser consensualmente aceite.Um abraço-tesoura do Manuel Serra d’Aire
Grande educador Serafim das Neves

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