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As informações de trânsito

Edição de 21.06.2006 | O Mirante dos Leitores
Moro em Torres Novas mas todos os dias de manhã fico a saber umas coisas sobre o trânsito em Lisboa. Tenho um rádio na mesa-de-cabeceira, outro na casa de banho e outro na cozinha. Prerrogativas da vida moderna. Ando de um lado para o outro e fascina-me aquela coisa do trânsito. É raro ir a Lisboa mas gosto de ouvir. É a inutilidade mais completa. A bizarria mais bizarra. Imperdível.Imagino-me a morar na periferia de Lisboa, prestes a sair de casa para o escritório. Vou pela CREL? Pela CRIL? Pela calçada de São Nunca? O homem do helicóptero fala-me um acidente ao quilómetro 34. A senhora do bacalhau Pascoal anuncia-me filas de doze quilómetros. O repórter em cima da hora não diz nada porque a comunicação está cortada. Ouve-se um rugido de fundo, mais nada. Terá sido engolido pelo tráfego? Meu Deus, o que fazer?E se vou pela alternativa indicada e quando chego lá há um acidente pior do que o da estrada por onde passo habitualmente? Ou dois acidentes? São 8 da manhã. O estampanço foi há dez minutos. Enquanto bebo o café conseguirão os bombeiros e a polícia limpar aquilo tudo? Começo a stressar. Acabo de tomar banho e já estou a transpirar outra vez. Com tanta barafunda é melhor telefonar a dizer que estou doente.E se eu já estiver no meio do…taram-tam-tam? Desespero com aquilo tudo. Estou em Torres Novas mas sofro solidariamente com os automobilistas de Lisboa. E do Porto também. Deve haver lá uns morcões pelo meio mas eu em questões de solidariedade não ligo a credos religiosos, raças ou habilitações literárias. Volta a música à antena. Os Bee-Gees ainda mexem. Cantam todos os dias, estão em grande forma. E sempre a mesma música. Aproveito para fazer a barba. A informação de trânsito seguinte falha. É sempre assim quando as coisas começam a aquecer. Sintonizo uma rádio local. Estão a passar publicidade. Ao fim de vinte minutos de anúncios non-stop com tanto número de telefone que fico com os olhos tortos, metem uma música do Tony Carreira. Pego nas chaves do Clio e saio porta fora. Como é bom viver no campo.Rui Ricardo

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