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Intervenção Social no “Bairro da Icesa”, em Vialonga

Edição de 21.06.2006 | O Mirante dos Leitores
O “Bairro da Icesa”, uma das imagens mais negras do Concelho de Vila Franca de Xira durante largo período de anos é hoje em dia um bairro diferente e com uma imagem bem mais positiva daquela que ostentava anteriormente ao ponto de ser, actualmente, mais conhecido pelo seu original nome, Bairro Olival de Fora.Tal foi possível porque a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira decidiu dar um pouco de atenção ao que ali se passava. As alterações foram muitas, as induzidas pelo investimento na reabilitação urbana, nomeadamente através da construção de equipamentos sociais, e as induzidas pelo investimento na inserção sócio-profissional das gentes que naquele bairro habitavam e habitam, designadamente através da promoção de acções de formação profissional e de actividades económicas propiciadoras da criação de emprego. Tudo com o envolvimento dos moradores.Por essa altura, o “Bairro da Icesa” nem sequer era o “Bairro Olival de Fora”. Era o “Modelo de Vialonga”, exemplo do que melhor se fazia em políticas de luta contra a exclusão social e contra a pobreza na Europa dos 15. Foram os tempos da pose para a fotografia, tempos em que a Comunicação Social colocava em lugar de destaque estas visitas protocolares de políticosMas a Ilha da Inclusão, como muitas vezes foi designada corre o elevado risco de se tornar novamente na Ilha da Exclusão. Hoje, apagada que está aquela imagem, voltam a aparecer sinais da progressiva degradação a que provavelmente aquele Bairro e a sua população estará votada e não fossem as limitadas acções de algumas associações vocacionadas para este tipo de trabalho, e obviamente, da Junta de Freguesia o cenário seria bem pior.Surgem com pertinência algumas questões que devem ter resposta. O Centro Comunitário de Vialonga estará a ser bem utilizado? Quais as actividades que lá se promovem? Quantos utentes lá passam por dia? O que lá se faz? O restaurante, parte integrante desse equipamento, faz quantas refeições por dia e para quem? O auditório tem sido usado? O que está ser feito no Gimnodesportivo? Até, porque foi feito outro em Vialonga. Quem e quantos o utilizam? Sabe-se e é motivo de satisfação saber que a ABEIV (Associação de Bem Estar Infantil de Vialonga) segurou, com dificuldades, o Centro de Emergência Infantil, pressionando em devido tempo a autarquia para que o mesmo se tornasse realidade pois corria o risco de não sair do papel. E o Ninho de Empresas? Até há bem pouco tempo, de todos os equipamentos, o Ninho de Empresas era o mais frequentado e o que mais horas por dia, estava aberto à população. O estacionamento não chegava para os utentes daquele equipamento. O bar, improvisado, servia mais refeições por dia que o restaurante do Centro Comunitário de Vialonga serviu desde que existe, há cerca de 4 anos. Isso tudo, estava a ser possível, graças à promoção de acções de formação profissional destinadas a populações desfavorecidas que ocupavam parte do Ninho de Empresas em horário laboral e pós-laboral, bem como à promoção de outras actividades económicas, como uma empresa de manutenção de espaços verdes e uma lavandaria, que permitiram o acesso ao emprego de pessoas em situação de exclusão social. A entidade responsável pela sua gestão, a ADE (Associação para o Desenvolvimento e Emprego no Concelho de Vila Franca de Xira), que chegou a empregar perto de 50 trabalhadores, passa, ao que tudo leva a crer, por graves dificuldades financeiras, que podem implicar a sua sobrevivência e a ida para o desemprego de um número bem razoável de activos. O que se seguirá? Não será possível inverter o rumo que as coisas parecem tomar, dar continuidade ao bom trabalho que foi realizado?Estas questões, as respostas que lhes podem ser dadas e as formas de apoio a entidades que praticam no terreno obra que favorece toda a comunidade merecem e têm de ser novamente colocadas na agenda das prioridades da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira sob pena dos problemas agora existentes se multiplicarem e acarretarem piores consequências.C. Simões Lopes

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