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Cinquenta e cinco escolas fecham portas este ano

Desertificação e falta de qualidade dos estabelecimentos obrigam à redefinição da rede escolar

A zona norte do distrito de Santarém é a mais afectada pelo encerramento de escolas do primeiro ciclo no ano lectivo que agora começa.

Edição de 13.09.2006 | Especial Regresso às Aulas
No início deste ano lectivo o distrito de Santarém fica com menos 55 escolas do primeiro ciclo. A maior parte dos estabelecimentos que fecham, por falta de alunos ou de condições para um ensino de qualidade, situam-se na zona norte. O concelho de Ourém é o mais castigado ao ver 19 escolas primárias desactivadas. Algumas tinham apenas três alunos inscritos. No norte o encerramento de escolas afecta, para além de Ourém, os concelhos de Mação, Ferreira do Zêzere, Tomar, Sardoal e Torres Novas, segundo a lista do Ministério da Educação apresentada à Associação Nacional dos Municípios Portugueses. A sul são os concelhos de Santarém e Rio Maior que têm maior número de estabelecimentos de ensino com ordem de fecho, seguindo-se Coruche e Chamusca (ver quadro). Os autarcas resignaram-se à evidência da desertificação das pequenas localidades rurais. E aceitaram naturalmente o encerramento das escolas porque as condições acabam por não beneficiar as crianças. Que são transferidas para outras escolas com mais meios, mais condições de aprendizagem, mais colegas para brincarem. A Câmara de Ourém foi uma das que concordou com o fecho de 19 escolas no concelho. Até porque, diz o presidente do município, David Catarino (PSD), o concelho “tem um número elevado de estabelecimentos de ensino”. São cerca de 80 e, segundo reconhece o autarca, há muitas sem interesse em termos educativos. O encerramento das escolas não está só relacionado com a desertificação, no entender da vereadora da Educação da Câmara de Santarém. Lígia Batalha (PS) diz que algumas escolas não oferecem a qualidade necessária. E que “em alguns sítios até existem alunos suficientes mas os pais matriculam-nos nas escolas que ficam mais perto do seus empregos ou onde alguém pode ficar com elas depois das aulas terminarem”, explica. No concelho de Mação o fecho de quatro escolas este ano e de outras em anos anteriores obrigou a uma reformulação da rede escolar. Agora cada freguesia fica apenas com uma escola principal e, em poucos casos, com duas que recebem os alunos da zona. Excepto a freguesia de Amêndoa, cujas crianças vão frequentar o estabelecimento da sede de concelho. Mas a situação também acarreta coisas boas, aponta o presidente da Câmara de Mação, Saldanha Rocha (PSD). O município concessionou os transportes escolares através de concurso. Dos oito circuitos criados, cinco vão ser efectuados por uma empresa de Viana do Castelo. Que vai recrutar funcionários no concelho para as funções de motorista e vigilante. Com isto criaram-se postos de trabalho numa região pobre que vive essencialmente da floresta e onde há grandes índices de desemprego.O sistema de fornecimento de refeições também teve que ser repensado. A Câmara de Ourém fez acordos com instituições particulares de solidariedade social para o fornecimento de almoços aos alunos de algumas escolas. Além da cozinha central do município, que já fazia o abastecimento a vários estabelecimentos. A autarquia estabeleceu também protocolos com a Rodoviária do Tejo para adequar os horários dos transportes aos das aulas. Outros municípios optaram por assumir os transportes das crianças, como na Chamusca. Os sete estudantes da escola da Caniceira vão para a de Vale de Cavalos, a três quilómetros. Uma transferência natural no entender do vereador Francisco Matias, porque já havia um conjunto de actividades feitas em conjunto pelos dois estabelecimentos. Apesar de resignada, a Câmara de Santarém ainda tem esperança de manter abertas duas das oito escolas com ordem de encerramento: as de Atalaia e nº2 de Alcanede. Pelo que estão a decorrer negociações com o Ministério da Educação.

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