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Sem estruturas a desertificação vai acentuar-se

Edição de 13.09.2006 | O Mirante dos Leitores
Resido há pouco tempo em Madeiras, concelho de Vila Nova da Barquinha. Sou professora do 1º ciclo e estou a aguardar colocação. Tenho um bebé de 10 meses e não sei o que fazer. Se ao menos tivesse conhecimento de alguém de confiança para deixar o meu pequeno tesourinho. Estamos a caminhar a passos largos para um país de Terceiro Mundo. Está declarado o fim da classe média. Ou ricos ou pobres. Eu caminho no sentido dos pobres. Em Lisboa a situação a nível de creches também não é fácil mas pelo menos existe mais oferta. Por um lado refere-se que não se quer desertificar o interior mas por outro não se criam estruturas para que os jovens possam lá permanecer. Vivi 27 anos em Lisboa. Lá tinha os meus pais que, pelo facto de estarem reformados, tinham disponibilidade para cuidar do meu filhote. Agora estou de mãos atadas. Quando decidi vir para Madeiras pensei que estava perto de locais com algum desenvolvimento como Entroncamento, Constância, Torres Novas e Tomar que me permitiriam resolver a minha vida e enraizar a minha família. Parece que me enganei. Ao fim de 5 anos de tentativas para mudar do QZP (Quadro de Zona Pedagógica) de Lisboa para Santarém, finalmente consigo e continuo sem saber onde vou exercer. O meu marido trabalha em Mação e não tinha quaisquer hipóteses de se transferir para Lisboa. E como funcionário do Ministério da Educação corre o risco de ficar sem emprego. Com isto tudo só dá vontade de migrar novamente para a cosmopolita Lisboa. Senhores autarcas, não parem de lutar contra a desertificação das zonas interiores. Túlia Sofia Pestana Esteves

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