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“Fui uma crítica do trabalho do meu filho”

“Fui uma crítica do trabalho do meu filho”

A relação com Mário Viegas
Edição de 27.09.2006 | Entrevista
Aceitava bem as intervenções políticas e artísticas mais irreverentes que o seu filho Mário Viegas fazia?Ele fazia o que entendia. Lutava contra o que achava estar mal. Ele era parecido com o pai, era muito recto. Quando ele fez aquela paródia da candidatura à Presidência da República, gostou?Sim. Se me ri! Fui sempre uma crítica do trabalho do meu filho. Às vezes chamava-o à atenção quando achava que estava a exagerar. Mas ele levava sempre a sua avante. E acabava por achar-lhe graça.Ele nunca foi muito de estudar…Tinha uma grande cabeça, mas só para o que queria. Era muito desmazelado. Mas quando quis fazer o livro sobre a sua vida, fê-lo em 15 dias fechado no quarto em Lisboa. Não faltou um pormenor. Já pode ver como era a cabeça dele. O que sentia quando ele começou a aparecer regularmente na televisão?Sentia-me orgulhosa do valor dele.Ele mantinha a ligação a Santarém?A certa altura foi estudar para um colégio católico em Lisboa. Andou para dar cabo do colégio e do padre que o dirigia. Fugia de noite pelas janelas. Começou a vir poucas vezes. Já quando andava no teatro aparecia sempre desmazelado, todo roto. Não ligava a nada disso. Era desligado dos bens materiais. Quando ele decidiu ser actor foi um choque?Um dia veio a Santarém e disse que tinha uma coisa para contar. Que se tinha matriculado no conservatório na vertente de teatro. Respondi-lhe que me admirava era se não o tivesse feito. Era isso que eu esperava dele. Mal começou o curso desistiu logo. Esteve lá três meses. O professor dava um programa de 1913. Santarém soube reconhecer-lhe os méritos?Ele foi muito amigo da sua terra e esta também foi sua amiga, embora a princípio não tenha sido tanto como deveria ser. O Mário Viegas nunca se interessou pelos negócios da família?Farmácia não era com ele. Ainda vai matando saudades ouvindo as suas obras?Quem não mata saudades, ainda mais sendo mãe? Ainda hoje tenho o quarto dele igual a quando o deixou. É como se ele estivesse cá e é com ele que me aconselho.
“Fui uma crítica do trabalho do meu filho”

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