uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
A estilista de alta-costura que começou no rés-do-chão de casa

A estilista de alta-costura que começou no rés-do-chão de casa

Madalena Toscany, 30 anos, residente em Aveiras de Cima
Nas traseiras de uma das casas da rua principal de Aveiras de Cima, Azambuja, uma janela típica abre-se para o atelier de Madalena Toscany, 30 anos. É ali que a estilista de alta-costura dá largas à sua imaginação. Longe do bulício da capital e no centro de uma vila onde quase toda a gente se conhece.O talento da estilista que vestiu Miss Portugal Mundo em 2003, distinguida com o prémio na categoria de moda, tem atraído clientes de Norte a Sul de Portugal ao atelier que funciona num espaço contíguo à casa de família. As feiras ajudam a projectá-la. A concorrência é feroz, mas Madalena responde sendo ela mesma. Recusa passar por cima de quem quer que seja. A explicação para o sucesso está nos fatos pendurados na pequena sala de provas onde conversámos. Modelos únicos. Vestidos de noiva, fatos de acompanhantes, trajes de gala. Madalena Toscay mostra com orgulho a nova colecção que. “Ainda não está concluída”, ressalva a jovem que se lançou na alta-costura aos 27 anos.Na criação dos vestidos usa e abusa das organzas, sedas, tafetas, tules e dos novos tecidos brilhantes. Conjuga lisos com bordados. Em tons dourado, champagne e bege. O mais difícil é começar a criar. Romper com o síndroma do tecido sem efeito. Do papel vazio. Algumas folhas espalham-se sobre a mesa de trabalho à espera das próximas horas de trabalho e inspiração. Ao lado Madalena Toscany vai pensado no toque final a dar ao vestido dourado pendurado sobre o manequim. A mãe, uma profissional do sector da alta-costura que trabalhou cerca de duas décadas na Alemanha, ajuda a ajustar a cintura do vestido. O produto final ainda não saiu exactamente como Madalena Toscany esperava. Diz a intuição de quem tirou um curso de modelagem industrial e se especializou na confecção de espartilhos. Madalena Toscany gosta de realçar as formas das mulheres portuguesas. As linhas cingidas, de contornos muito femininos, são a sua imagem de marca. Os cortes de princesa funcionam sempre. Tal como os corpetes. As clientes já se habituaram a pedir a opinião da estilista. “Entram com uma ideia e acabam por sair encantadas com um corpete e saia”, descreve Madalena Toscany.Este ano, em Junho, chegou a vez da estilista desenhar o seu vestido de sonho. Optou pelo corpete e saia com três metros de cauda que arrastou pela passadeira da Igreja. As centenas de brilhantes incrustados no fato foram aplicadas por Madalena Toscany. A estilista não coseu o vestido. Diz a tradição que noiva e mãe não podem costurar o fato. Madalena Toscany é apaixonada pela terra e pela família. Por isso deixou a multinacional belga onde trabalhava, em Leiria, para confeccionar vestidos na vila. Sair de Aveiras de Cima não está nos seus planos. Muito menos para emigrar. No meio do trabalho ainda arranja disponibilidade para organizar eventos, feiras de noivos e angariar fundos para a instituição que acolhe crianças em risco na vila com a colaboração de um grupo de amigos. Em dias de Verão, época alta para a estilista, a jornada de trabalho não termina antes da meia-noite. Só a essa hora regressa à casa de Santarém, onde está a morar desde o Verão. O atelier de Aveiras está a tornar-se pequeno. Clientes não faltam e o mercado prospera. No espaço de um ano a estilista conta transformar a loja de pronto a vestir da mãe – onde trabalha a família há 23 anos - no seu cartão de visita. Mesmo que a oportunidade surja para abrir loja em Lisboa, Aveiras de Cima será sempre o seu porto seguro. A pacata vila onde começou a delinear o seu sonho.
A estilista de alta-costura que começou no rés-do-chão de casa

Mais Notícias

    A carregar...