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Bruno Trincão só consegue imaginar o futuro na sua Chamusca natal

Bruno Trincão só consegue imaginar o futuro na sua Chamusca natal

Alma de veterinário desviada para a zootecnia
Sonhava ser veterinário mas a média estragou-lhe os planos e desviou-o para o curso de zootecnia. O jovem chamusquense Bruno Trincão é finalista no Instituto Politécnico de Viseu aos 23 anos. O curso permite-lhe optar por várias saídas profissionais. Trabalhar em inspecções sanitárias, matadouros, no tratamento de afluentes, arraçoamentos de animais. De um modo ou de outro vai conseguir estar perto da natureza e dos animais. E das pessoas, claro, que ele não se sente bem fechado entre quatro paredes. “Detesto o fato e gravata e estar sentado numa secretária, prefiro o fato de macaco e o contacto com as pessoas”, confessa. Estagiou na sociedade agro-pecuária de Vale da Lama, Chamusca, onde vai completar um ciclo até final do ano lectivo. Em cada fim-de-semana Bruno Trincão regressa à Chamusca e não troca o trabalho com o pai e o tio numa casa de pneus por uma manhã na cama. É assim que faz desde novo. E foi dessa forma que ganhou dinheiro para comprar carro aos 18 anos. A sua mentalidade é simples e prática. E faz uma analogia a um pensamento do ex-presidente norte-americano John Kennedy, para salientar que são as pessoas que têm de pensar no que podem fazer pela Chamusca, pelo país e por elas em vez de esperarem que o Estado trate delas. “Nascer na Chamusca ou em qualquer terra do interior não é uma fatalidade”, assegura. Tem orgulho em ser ribatejano mas nunca pensou ser forcado, ou toureiro. “Convidaram-me há alguns anos mas não aceitei. Porque tenho respeito por um animal que pesa 600 quilos e porque me custa ver o seu sofrimento na praça”, confessa. Também não vai a corridas de toiros, nem mesmo durante a Ascensão. “Só assisto a largadas e nunca me meto lá dentro”, graceja. Recebeu uma educação tradicional. Não é católico praticante e diz sentir-se distante da igreja. “Não percebo como é que o Vaticano, que vive na opulência em vez de ajudar peça ajuda”, explica. Em Viseu, onde estuda com colegas de várias proveniências, faz questão de afirmar a sua naturalidade. Ali e em todo o lado. Mas considera que o mundo está demasiado globalizado e que o habitante da terra pequena se comporta actualmente como o das grandes cidades. Foi ao Brasil em viagem de finalistas no ano passado na região do Natal. Mas gostava sobretudo de ir a Cuba. “Apesar de ser contra todo o tipo de ditaduras gostava de lá ir antes de Fidel Castro morrer, porque acho que o país parou no tempo. E quando ele desaparecer Cuba vai mudar radicalmente”. Sem ser militante de um partido, Bruno Trincão confessa que tem ideias de esquerda mas é contra os extremismos. E confia cada vez menos nos políticos. Nunca teve sonhos de ser jogador da bola como muitos jovens, por “falta de jeito”, mas fazia grandes partidas de basquetebol com os amigos. “Eles agora estão para Évora e Lisboa mas aos fins-de-semana costumamos encontrar-nos para um petisco e muita conversa”.
Bruno Trincão só consegue imaginar o futuro na sua Chamusca natal

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