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Câmara do Cartaxo suspende negociações com proprietário do campo das Pratas

Acusa clube de má fé e abuso de confiança
O presidente da Câmara do Cartaxo informou esta segunda-feira o executivo municipal que a autarquia irá suspender as negociações que desenvolve com o proprietário do campo das Pratas, na sequência do diferendo que o opõe ao Sport Lisboa e Cartaxo (SLC) e que levou à interposição de uma acção de despejo em tribunal por parte do primeiro por incumprimento contratual. No documento distribuído à vereação Paulo Caldas (PS) acusa a direcção do SLC e o seu presidente de “má fé, litigância e abuso de confiança” e salienta que a autarquia assume, desta forma, uma posição jurídica de salvaguarda no sentido de não ser responsabilizada pela decisão que o tribunal vier a tomar. A suspensão das negociações com o proprietário do campo das Pratas irá vigorar “até que o clube denote à câmara que tem interesse que esta prossiga as negociações”.A autarquia compromete-se a concretizar o campo sintético na cidade quando entender que existam condições e meios para tal, mas nunca no terreno em frente ao estádio municipal, onde pretende avançar para a construção do pavilhão desportivo ainda este ano. Paulo Caldas considera que a direcção do SLC está a prejudicar seriamente os interesses do clube, dos seus associados e dos jovens atletas, perseguindo interesses desconhecidos, de carácter pessoal e político, dos seus dirigentes. Mas exclui desse rol Délio Pereira, dirigente do clube e deputado na assembleia municipal (CDU). Confrontado por O MIRANTE com os argumentos do presidente da Câmara do Cartaxo, o líder da direcção do SLC, Avelar Marques, diz nada ter a comentar e que a partir de agora apenas se irá cingir à informação escrita produzida.Recorde-se que na base do conflito entre clube e autarquia está o facto de a deliberação camarária de 5 Setembro 2005 que cedeu em direito de superfície a título gratuito de um terreno em frente ao estádio municipal para construção do relvado sintético para o clube ter sido revogada na reunião de 12 de Junho de 2006 e ratificada na última assembleia municipal a atribuição desse terreno à empresa municipal que vai construir o pavilhão.Na reunião de 12 de Junho e na de 29 de Maio, Paulo Caldas anunciou que tinha chegada a acordo com o proprietário do Campo das Pratas para a cedência gratuita ao município do hectare ocupado pelo recinto desportivo, para construção do relvado sintético. A autarquia comprometeu-se a rever o plano director municipal com alargamento do perímetro urbano aos restantes seis hectares para que o proprietário ali possa realizar um loteamento. Do negócio resultaria a cedência obrigatória de cerca de dois hectares ao município para espaços e verdes e equipamentos que poderia vir a comportar a construção da futura sede do clube.Vereadores do PSD dizem-se enganados por Paulo CaldasFace à posição assumida apela autarquia, os vereadores do PSD, Manuela Estêvão e Manuel Jarego, consideram-se enganados por Paulo Caldas em todo o processo. Lembraram os autarcas que o edil do Cartaxo os informou de um acordo com o proprietário do campo das Pratas que não existe.Os sociais-democratas manifestaram estar em desacordo com a cedência da parcela de terreno à empresa municipal sem que primeiro o SLC tenha o seu relvado sintético, à semelhança do que já acontece com grupo desportivo de Pontével e Estrela Ouriquense. Manuela Estêvão afirmou mesmo sentir-se “ludibriada” por ter revogado uma deliberação camarária com base no pressuposto de que haveria um acordo, enquanto Manuel Jarego lembrou que o dito protocolo não está sequer assinado, pelo que nada valerá em termos jurídicos e oficiais.Por parte da CDU, o vereador Mário Júlio Reis afirmou que as declarações “agressivas” dos dirigentes do SLC face à câmara revelam falta de humildade e não são dignificantes. Sustentou que faz mais sentido que as negociações com o proprietário do campo prossigam, considerando que o clube ficará bem servido no campo das Pratas. Paulo Caldas recordou que é o clube que ameaça pôr a câmara em tribunal, esquecendo que a autarquia tem sido parceiro activo ao longo dos últimos anos. No apoio à actividade regular e à formação, na beneficiação de infra-estruturas de apoio ao clube, utilização das piscinas e estádio municipal, “sempre numa postura de boa fé”. O autarca assegura que a câmara não vai “embarcar em quimeras ou fantasias de qualquer clube”, avisou.

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