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“É essencial apostar na formação de técnicos e dirigentes”

Rui Bento, treinador dos juniores do futebol do Porto Alto
A Associação Recreativa do Porto Alto é um dos clubes da região que mais aposta na formação de jovens praticantes e durante vários anos nem sequer teve equipa sénior. Um trabalho de base feito à custa de muitos carolas, de treinadores a dirigentes, que move diariamente dezenas de atletas de vários escalões.É o caso de Rui Bento, treinador da equipa de juniores, que neste momento está em terceiro lugar no Campeonato Distrital da Segunda Divisão. Descobriu a vocação para treinar durante os treinos do filho e não demorou a experimentar. Começou por orientar a equipa de escolas do Salvaterrense e após uma subida gradual nos escalões está, aos 37 anos, no comando dos juniores do Porto Alto.Rui Bento não esconde que quer treinar uma equipa sénior a médio prazo mas, por enquanto, aposta forte numa formação disciplinar dos seus pupilos, e não descura o trabalho de pesquisa. O trabalho está a dar resultados. Com nove jornadas cumpridas, a equipa venceu quatro jogos, empatou dois e perdeu três, marcando 11 golos e sofrendo 10.Para treinar uma equipa de juniores, com jovens entre os 17 e os 19 anos, dá primazia à formação desportiva ou disciplinar?Apesar de ter a noção de que deveria preocupar-me mais com a formação desportiva, nós acabamos por ter de nos concentrar muito na parte disciplinar. Apanhamos jovens com muitos problemas e é inevitável actuar como os segundos pais. Os problemas que eles trazem reflectem-se no comportamento disciplinar. Eles estão numa idade em que ainda não são adultos mas também não são crianças e torna-se mais trabalhoso lidar com eles. Exige um pouco mais de nós, mas também foi por isso que decidi treinar juniores. Nestas idades é comum começar a fumar, a beber álcool. Muitas vezes a primeira coisa que os jogadores fazem a seguir ao treino é puxar do cigarro. Como reage a isso?Sim, é um facto, mas eu não deixo. Enquanto eles estiveram ao meu alcance não permito. Esforço-me por incutir uma formação a esse nível. Por vezes já existem alguns hábitos e torna-se complicado mas eu esforço-me sempre para que se façam progressos.Sente que tem jogadores que podem progredir? É um orgulho vê-los partir para um clube grande? Eu tenho orgulho quando sinto que contribuí para o progresso deles. Tive aqui um miúdo que gostava de jogar à baliza, mas achei que ele tinha alguma aptidão para ponta-de-lança e experimentámos. Já soube que o Benfica o veio buscar. Mas tenho atletas que sei que se continuarem a trabalhar com têm feito conseguem ascender a um clube maior.O apoio da direcção do clube é a suficiente? A aposta nas camadas jovens podia ser maior?Aqui na Arepa (Associação Recreativa do Porto Alto) tenho o apoio necessário. Foi uma das coisas que me fez aceitar o desafio. São pessoas que têm muita vontade. Da melhor maneira ou não, fazem o que podem. Há sempre coisas a serem melhoradas, mas aqui sinto que há força de vontade. No entanto, penso que se deveria apostar mais na formação das pessoas que lidam com os atletas. É essencial haver vocação das pessoas que também devem ser auto-didactas. Refiro-me também aos dirigentes, que têm de saber dirigir os clubes e não os levarem por caminhos que não são os melhores. Nota alguma diferença de comportamento dos árbitros com os seniores e juniores?Os árbitros neste escalão devem ter pulso firme. No entanto, nos primeiros escalões a atitude deve ser mais pedagógica. Se houver desde cedo um entendimento das regras do jogo por parte de árbitros, treinadores e essencialmente dos atletas, eles vão compreender quando erram. Neste sentido, acho que os árbitros deviam ter um comportamento diferente com os jogadores logo desde cedo.

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