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Líder da assembleia municipal não apoia recandidatura do presidente de Almeirim

Líder da assembleia municipal não apoia recandidatura do presidente de Almeirim

Armindo Bento assume ruptura com o seu camarada Sousa Gomes

O presidente da Assembleia Municipal de Almeirim, Armindo Bento, garante que nas próximas eleições não vai integrar as listas do PS se o partido apostar na recandidatura do seu camarada Sousa Gomes a presidente da câmara. E diz que vai lutar pelo aparecimento de alternativas.

Edição de 14.02.2007 | Entrevista
Quais são as suas aspirações políticas?Nunca tive pretensões a ser presidente da câmara, nunca o serei nem quero ser. Tenho ideias sobre o meu município e apresento-as ao partido. Mas se fosse presidente do município estaria a trabalhar em projectos como a recuperação da ribeira de Muge e na reabilitação do centro urbano da cidade em vez da construção em terrenos novos. Está a assumir uma posição crítica em relação ao presidente da câmara, Sousa Gomes, apesar de serem os dois do mesmo partido. O actual modelo está esgotado?Há dificuldade em fazer uma mudança para as necessidades que estão no programa do PS local. Ninguém sabe quais são as novas propostas para acesso aos fundos comunitários. Ninguém conhece os projectos. E se o PS não conseguir cumprir o seu programa as pessoas vão manifestar-se nas eleições. Quer dizer que não apoia Sousa Gomes?Que fique bem claro que não apoiarei uma possível recandidatura de Sousa Gomes em 2009, em respeito por mim próprio. Por entender que há alternativas que podem fazer melhor por Almeirim, que podem de facto ser os agentes da mudança de atitudes e de comportamentos de que tanto necessita o município. Irei lutar e promover dentro do PS a discussão e a motivação para o aparecimento dessas alternativas num combate efectivo ao arsenal de demagogia e de incapacidade de adaptação à necessária mudança.O que é que o leva a tomar esta atitude?Há um ano acreditei, tal como muitas outras pessoas, na vontade séria de Sousa Gomes de alterar este estado de coisas e poder liderar essa mudança necessária. Errei, enganei-me e não percebi os impedimentos internos existentes que intuem a vida como uma realidade inamovível, trocando a qualidade e desafios pelo trunfo do comodismo. Isto é, esquecendo-se de que devem servir o interesse público e não os interesses particulares. Diz-se que há falta de alternativas no PS de Almeirim.Existem pessoas. Nas últimas eleições apareceu o professor Francisco Maurício, que é uma pessoa dedicada, com capacidades. Em democracia há sempre alternativas. As pessoas podem é estar desagradadas com determinadas situações. Francisco Maurício acabou por se demitir do cargo de vice-presidente e de todos os pelouros. Quais foram as razões?Houve duas reuniões do partido, numa não se falou no assunto e na outra alguns militantes pediram explicações. A única coisa dita foi que havia uma visão diferente sobre a gestão da câmara. Corre a versão de que se aliou a Francisco Maurício para “derrubar” o presidente da câmara…A prática do professor Francisco Maurício, que exerceu funções de direcção e gestão, é parecida com a minha. É normal que haja uma percepção da realidade da gestão muito semelhante. Mas pelo facto de emitirmos opiniões convergentes sermos acusados de estar a querer derrubar alguém, isso é baixa política. Tem havido contestação dentro do partido?De repente foi visível que havia duas pessoas de cariz forte e que têm um pensamento diferente sobre a evolução de Almeirim. Nomeadamente, o presidente Sousa Gomes e o ex-vice-presidente Francisco Maurício. Numa resposta do gabinete do presidente disseram-me que se isto é assim há 17 anos porque é que há-de mudar agora. Isto é um erro grave. Num artigo de opinião publicado em O MIRANTE sobre o caso da chefe de gabinete que foi considerada arrogante e sem perfil pelo júri de um concurso, o presidente da câmara diz que o alvo a abater é ele. Tem a mesma opinião?Esse artigo deixou-me muito triste porque um presidente de câmara não pode escrever o que escreveu, em nome de princípios éticos e do interesse público. O facto de uma pessoa ter concorrido a um concurso para chefe de secção e não ter ganho é normal. Um presidente não pode tomar posição por uma parte, muito menos pondo em causa dois vereadores do seu próprio partido. Ainda não acredito que tenha sido Sousa Gomes a escrever aquele artigo, que tem por base a teoria da conspiração e da vitimização. No mesmo artigo acusa um membro “com muitas responsabilidades na assembleia municipal” de andar a tentar “aliciar votos” contra o plano e orçamento da câmara. Não se sente atingido?A assembleia tem 25 membros, dos quais 15 são do PS, e todos são responsáveis. Vou colocar o caso numa reunião do partido para que o senhor presidente diga quem é a pessoa em causa. Porque a acusação é muito grave. Essa atitude admirou-me.A sua relação com o presidente da câmara deteriorou-se nos últimos tempos…A relação pessoal não é a mesma. Em termos de solidariedade o compromisso dos políticos é com os interesses das populações e não com interesses particulares. E tenho assumido nas reuniões do partido quais são as minhas discordâncias. O senhor presidente da câmara tem a legitimidade para gerir como está a gerir, mas se fosse eu não o faria da mesma forma. O facto de ter um blogue com críticas à actuação da câmara tem alguma coisa a ver com isso?O blogue é um espaço onde exprimo livremente as minhas ideias sobre determinadas áreas municipais e funciona na base da cultura da exigência. É uma forma de disponibilizar à população as coisas a que tenho acesso. Há uma ideia errada de que as pessoas devem estar caladas. O que é que o está a desiludir na política?A falta de um líder a nível regional. Houve essa expectativa com o Jorge Lacão, mas a região não tem tido um líder, não só no PS como nos outros partidos.
Líder da assembleia municipal não apoia recandidatura do presidente de Almeirim

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