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Uma semana com Ayrton Senna rendeu dois mil euros

Edição de 14.02.2007 | Entrevista
O catálogo da exposição tem na capa uma foto com Ayrton Senna. Foi uma reportagem marcante?Estive uma semana a fazer um trabalho com um jornalista da TV Globo em que acompanhávamos o Ayrton que tinha vindo experimentar pneus no Autódromo do Estoril. Poucos meses depois ele morreu.Ele era um homem de poucas palavras?Sim, mas era simpático e cordial.E aquelas histórias das meninas na Quinta da Marinha?Risos…Era um homem muito procurado. Tinha fama e dinheiro e elas gostavam dele. Conheço algumas histórias, mas por respeito à memória dele e dever da profissão não vou revelar.Lembra-se quanto é que ganhou por esse trabalho para a Globo? Foram 400 contos numa semana.Era dinheiro…Sim. Cheguei a receber 1200 contos numa semana num trabalho para a BBC para uns documentários. Parece muito dinheiro, mas para eles compensava porque evitavam estar a mandar o pessoal deles. Estes eram valores de tabela para a Europa, eram mil dólares por dia (154 contos).Quando não tinha jornalista recolhia a imagem e a matéria?Levava o meu filho João Hélio Trigueiros comigo. Ele falava muito bem várias línguas e enquanto eu fazia as imagens ele recolhia informação. Depois elaborava uma lista de planos de imagem e contava a história por escrito. O trabalho ia à mão dos jornalistas que compunham e faziam a peça com um minuto e meio ou dois minutos, no máximo.Era um sistema um pouco limitado?Sim, mas depois começámos a evoluir. Melhorámos muito o material. Lembro-me que um dia fui comprar esta máquina Beaulieu a França de boleia num camião TIR. Vi o anúncio no jornal e fui para Paris sem saber uma palavra francesa, mas consegui chegar ao destino e comprar a máquina ao correspondente da TV Francesa em Lion. Depois vim carregado com aquela tralha toda no comboio. O senhor trabalhou com a bobine e o sistema de corte e cola?Tinha uma bobine com 60 metros para cada reportagem e gravava para três minutos no ar. Tinha que gerir muito bem a fita e só filmava o que interessava. Jogava muito com os planos fixos e as panorâmicas curtas. Hoje o operador tem muito mais liberdade. Filma tudo e à vontade. Depois monta-se no computador. É mais rápido.Também fazia a montagem?Não. A RTP tinha um conjunto de senhoras na montagem que trabalhavam com o jornalista, cortando e colando. Trabalhavam numa velocidade impressionante. O senhor trabalhou com algumas das maiores figuras do mundo. Qual foi a reportagem que mais o marcou?Fiz reportagens com vários presidentes da República e com personalidades como: Eusébio, Ericksson (treinador de futebol), Agildo Ribeiro (actor brasileiro), mas a que mais me impressionou foi uma operação ao coração a uma criança com seis anos de idade e era o jornalista Raul Durão que estava comigo. O operador tinha vindo da África do Sul e era uma operação muito delicada.E o funeral de José Mestre Baptista?Foi duro. Era meu amigo e tinha uma grande admiração por ele. O repórter também tem sentimentos…

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