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“O artista não sou eu, são os jogadores”

Edição de 07.03.2007 | Entrevista
Um enfermeiro também é um confidente dos jogadores?Chego a estar a tratar de uma lesão e ao mesmo tempo a ouvir os problemas que eles têm em casa com o filho ou a mulher, ou com o treinador que não põe este ou aquele a jogar. Chego a dar-lhes conselhos porque os jogadores são jovens e como já convivi com muitos profissionais e tenho uma maior experiência de vida posso indicar-lhes o caminho. As equipas médicas funcionam também muito como apaziguadores de conflitos.Tem um papel importante na motivação?Sim porque o futebol é uma competição entre equipas mas também uma competição interna. Além de tratar atletas a minha função também passa por manter a estabilidade. Qual é o segredo par se manter há cerca de 20 anos no Sporting?É a máxima que eu aplico na minha vida: o bom senso e alguma discrição. O artista não sou eu, são os jogadores. Porque hei-de colocar-me em bicos de pés? Muitas pessoas que estivessem no meu lugar se calhar ficariam deslumbradas. Mas temos que ser apenas o que somos; técnicos de saúde e não nos metermos em assuntos para os quais não somos chamados. Chega a fazer amizades com os futebolistas?Passo mais tempo com a família Sporting que com a minha própria família. Isso leva a que se criem fortes amizades. Vejo um jogador quase como um filho, mas há limites. Na minha perspectiva não devemos ser visita habitual de casa.Por estar perto dos jogadores é usado pelos adeptos para transmitir mensagens ou fazer pedidos?É vulgar pedirem para arranjar autógrafos de futebolistas.Como acompanha a carreira dos jogadores que se formam no clube?Com muito carinho, porque o meu percurso no Sporting foi feito a partir das camadas jovens. Disponibilizo-me permanentemente para colaborar com os meus colegas enfermeiros que trabalham na formação de jogadores. Gosto de saber quem está a progredir, porque o futuro daquela casa está nos jovens. Já foi também enfermeiro da selecção nacional. O que é que lhe dá mais prazer?O Sporting. O trabalho com as selecções é diferente. Em termos de continuidade é mais gratificante trabalhar no clube, porque se vê a evolução dos profissionais. Qual foi a lesão que mais o impressionou?As lesões do joelho são as mais impressionantes por serem mais demoradas e até aparatosas. Recordo-me como as mais complicadas as várias operações a que foi sujeito o Sá Pinto, bem como os problemas que teve o Niculae.Porque é que há jogadores que passam a vida no posto médico?Tem a ver com a importância que os atletas dão às alterações do seu corpo. Há alguns que até dão importância a um espirro. Há alguns hipocondríacos. E alguns com tendência para andarem sempre lesionados...Devido à sua morfologia pode haver elementos que se lesionem mais facilmente que outros. Mas hoje é possível prevenir essas situações, identificando as situações propícias a lesões e corrigindo-as. Já lhe aconteceu alguma situação caricata?Há uns anos a selecção de Angola veio jogar a Portugal e como não trazia enfermeiro a federação de futebol nomeou-me para lhes dar apoio. No jogo com a equipa portuguesa o guarda-redes angolano começa a correr em direcção à baliza adversária com a bola, que entretanto sai fora. Quando esta é reposta em campo, o guarda-redes de Angola corre para o seu posto e quando lá chega cai para o chão. Entrei em campo para a assistência e quando lhe perguntei o que se passava ele respondeu que só estava cansado.

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