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Jovem percussionista de Tomar afirma-se no mundo da música

Jovem percussionista de Tomar afirma-se no mundo da música

Beto Betuk lançou recentemente o segundo disco onde participam figuras como Sara Tavares e Paulo Carvalho

O jovem a quem os colegas chamavam “betinho” transformou-se em Beto Betuk e apesar de se ter licenciado em Matemática preferiu o mundo dos ritmos ao decifrar de equações.

Hoje já quase não responde como João Simões. A maioria só o conhece por Beto Betuk. O primeiro nome chegou-lhe como alcunha no tempo em que frequentava a Escola Jácome Ratton, em Tomar. Na altura, era sossegado e mantinha uma atitude diferente, o que levou os colegas a classificarem-no como “betinho”. E assim ficou “beto”. “Betuk” chegou mais tarde. Em 2001, dirigiu-se à Sociedade Portuguesa de Autores para registar a primeira obra. Como já existia um Beto compositor, foi obrigado a acrescentar mais um nome. O músico Fernando Girão, que o acompanhava, sugeriu “Betuk” e acabou por finalizar o baptismo artístico do novo músico. “É um nome percussivo”, justifica. Beto Betuk nasceu em Tomar a 4 de Agosto de 1981. O cabelo sempre foi comprido, desde menino. Agora, já mais crescido, adoptou um brinco com uma pena que lhe dá um ar exótico. O próprio rejeita que o intitulem de diferente, para não ser mal interpretado, mas tem consciência que a sua visão da vida e da música não é partilhada pela maioria dos jovens. Nunca gostou da vida boémia e levanta-se sempre às nove ou dez da manhã. Dedica-se a grandes passeios e repara nas pequenas histórias que se lhe atravessam no caminho. É através delas que compõe as suas músicas. Licenciou-se em Matemática com média de 16, deu aulas, mas é na música que encontra o prazer de viver. Começou aos 15 anos, quando ajudou a formar uma banda de música pop. “Um tocava guitarra, outro cantava, etc... Como fui o último a juntar-me, decidi arranjar uma coisa diferente e lá fui tocar percussão”. Algum tempo depois, o pai levou-o a casa de um amigo, Rui Júnior, “o maior percussionista português”. E foi ali, a ouvir o mestre, que Beto Betuk soube o que queria fazer para o resto da vida. Foi aprendendo como autodidacta. O pai comprou-lhe várias cassetes de vídeo com aulas. Viu-as centenas de vezes. Em 1998 viajou até Londres. Durante 4 meses assistiu a diversos workshops sobre percussão. Quando regressou a Portugal, foi convidado para musicar um espectáculo de dança em Tomar, realizado pelo coreógrafo/bailarino tomarense Fausto Matias. “Esse espectáculo foi uma viragem para mim, porque foi quando comecei a pensar nisto em termos mais profissionais”. Foi nessa altura que conheceu o norte-americano Phil Hamilton que o ajudou, juntamente com Fernando Girão, a realizar os dois trabalhos a solo que tem já no mercado.Um músico que não quer ser estrelaO primeiro disco, “Encontros”, foi editado em 2005. Nele participaram Ivan Lins, Paulo de Carvalho, Fernando Girão, Philip Hamilton, Maria Viana e Naná Sousa Dias. O trabalho foi aclamado pela crítica e levou-o ao novo disco lançado no início de Fevereiro. “Memórias da Terra Quente” é suave, melodioso. “Eu faço um disco como um poeta escreve um livro. Este trabalho é um livro de viagens culturais. Tem um bocadinho de Portugal, de Espanha, de França, de Itália, do Brasil, da Argentina, de Cabo Verde. Foi trazer todas essas viagens para a minha música”. “Memórias da terra quente”, editado pela Zona Música, conta com diversas participações de “amigos”. O single de lançamento, “Linha do Horizonte”, tem vocalização de Sara Tavares. Paulo de Carvalho e Phil Hamilton voltam a cantar com o músico tomarense. E surgem mais vozes novas. São os casos da italiana Giovanna Moretti e da galega Uxía Senlle. Estas memórias de Betuk integram ainda uma homenagem ao cantor brasileiro Ivan Lins. “Carta pró Ivan” representa um agradecimento ao “maior compositor do século XX”. Beto Betuk usa mais de dez instrumentos de percussão no novo disco. O som do udu (pequeno instrumento de cerâmica com origens africanas) mistura-se com o das congas, o do bongô (latino), o do rebolo (brasileiro), o da darabuka (do norte de África), o do cajon (originário do Perú), para além dos adufes e bombos populares portugueses. O que empresta singularidade à música do jovem percussionista.O reconhecimento que Beto Betuk já conseguiu no mundo musical, leva-o a afirmar que tem tido uma “estrelinha da sorte” que lhe foi abrindo portas. A humildade é uma virtude que quer manter. Diz que existem “percussionistas mais novos e com mais talento” que ainda não conseguiram entrar no meio fechado. Beto Betuk não quer ser estrela, estar nos tops. O seu disco é classificado como world music (música do mundo), algo que lhe dá orgulho. O trabalho a solo é para continuar, mas o músico quer dar sempre prioridade à posição de side man (acompanhante).
Jovem percussionista de Tomar afirma-se no mundo da música

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