Vasco Cunha preocupado com o futuro da indústria transformadora de tomate
Parlamentar do PSD teme consequências do desligamento das ajudas à produção
O desligamento das ajudas europeias à produção agrícola pode implicar uma “quebra fatal” em certas culturas como a do tomate, o que pode ter “consequências nefastas” na indústria transformadora, que se arrisca a ficar sem matéria-prima para laborar. Uma situação que levou o deputado do PSD Vasco Cunha a intervir esta quarta-feira na Assembleia da República sobre a reforma da Organização Comum de Mercado (OCM) das frutas e hortícolas proposta pela União Europeia.O parlamentar eleito pelo círculo de Santarém lembra que se essa proposta de reforma se concretizar nos termos propostos pela Comissão Europeia, os agricultores passam a receber apoios deixando de ser obrigatório manter as suas produções de tomate. Basta-lhes conservar os campos em boas condições agrícolas ou optar por outra cultura. E o risco de as indústrias ficarem sem produto para transformar é real. Recentemente, em Almeirim, alguns agricultores, face a esse cenário, manifestaram a intenção de deixar de produzir tomate caso a indústria não queira subir o preço a que paga a matéria-prima.“O panorama que irá resultar da actual proposta de reforma da OCM das frutas e hortícolas é profundamente preocupante para Portugal”, diz Vasco Cunha, lembrando que pode afectar gravemente “uma indústria que hoje se apresenta competitiva e com grande capacidade de exportação”. Pelo que pretende respostas do ministro da Agricultura sobre o assunto. Designadamente que esforços foram feitos com vista a influenciar de forma positiva a proposta da Comissão Europeia e que medidas pensa tomar. Recorde-se que o ministro Jaime Silva defendeu um período de transição em que as ajudas não sejam completamente desligadas da produção, para permitir que a indústria possa ter um período de adaptação à nova realidade.Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Associação dos Industriais de Tomate (AIT), Miguel Cambezes, explicou que, se o desligamento, que já se aplica em algumas culturas, passar a abranger também o tomate, “a produção reduz-se a metade da actual e as empresas portuguesas de transformação terão carências de abastecimento. As fábricas passarão a trabalhar abaixo do nível de rentabilidade económica e esta situação vai determinar o seu fecho”, frisou.Vasco Cunha sublinhou na sua intervenção parlamentar que nos últimos dez anos assistiu-se a um movimento de concentração que levou a uma significativa redução do número de produtores e a um aumento da área cultivada. O que proporcionou o desenvolvimento de economias de escala, o reforço da competitividade e a modernização do sector. Atributos que diz poderem estar em causa. “Estamos assim em risco de perder um sector produtivo, cuja competitividade a nível europeu é evidente, e que poderá arrastar uma indústria fortemente direccionada para a exportação, que muito tem contribuído para o valor acrescentado bruto da economia nacional”.Segundo dados deixados pelo deputado, a cultura do tomate em Portugal ocupa cerca de 15 mil hectares, grande parte deles no Ribatejo, representando mais de 5 mil postos de trabalho. Gera 140 milhões de euros por ano, sendo 90 por cento dessas receitas proveniente das exportações.
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