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Chuva não impediu bênção dos barcos

Chuva não impediu bênção dos barcos

Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem voltou a atrair milhares de pessoas a Constância

A Festa durou três dias mas o ponto alto foi segunda-feira, Feriado Municipal. Os barcos engalanados subiram o Tejo para recordar os tempos em que passageiros e mercadorias eram transportados por via fluvial.

Edição de 11.04.2007 | Cultura e Lazer
A tradição cumpriu-se debaixo de chuva em Constância. Nossa Senhora da Boa Viagem saiu em procissão da Igreja Matriz na segunda-feira por volta das quatro da tarde numa altura em que começou a chuviscar. Quando o cortejo chegou à praia fluvial, na confluência do Zêzere com o Tejo, já se tinha transformado em trovoada. Mas não foi isso que impediu a bênção da meia centena de embarcações que tinham subido o Tejo durante a manhã a partir de Tancos, no vizinho concelho de Vila Nova da Barquinha. Réplicas da imagem da Santa estavam presentes em quase todos os barcos. Em lugar de destaque, ou não fosse a festa em sua honra. Uma festa que recorda os tempos difíceis dos “marítimos”, como eram chamados os homens que vivam da faina e do comércio, na altura em que o rio Tejo funcionava como uma auto-estrada de ligação à capital e nas suas margens se faziam verdadeiros mercados de compra e venda de produtos.Nessa altura, sempre na segunda-feira a seguir à Páscoa, os “marítimos” vinham até Constância pedir a Nossa Senhora da Boa Viagem que os continuasse a proteger no vai e vem constante sobre as águas. A bênção era feita após a missa e a procissão que levava a imagem da Santa até ao cais, onde as embarcações eram abençoadas. O ritual mantém-se nos dias de hoje e a bênção é actualmente estendida aos veículos de quatro rodas que transportam os barcos até ao cais de Tancos. A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, foi este ano convidada de honra da festa. Uma festa que, em sua opinião, ultrapassa o acto de fé e representa também um trabalho de equipa e um encontro de três gerações – dos avós que “viveram” o rio até aos netos que hoje embarcam também no espírito de grupo e camaradagem, num intercâmbio de interesses e saberes. Tendo todos eles o rio como elo de ligação. “É convosco e por causa de vós que esta tradição continua”, fez questão de lembrar a vice-presidente da Câmara de Constância, Júlia Amorim, dirigindo-se aos “navegadores” perfilados na margem, minutos depois de terem sido recebidos ao som da banda filarmónica.Antes da missa na Igreja Matriz e da descida em procissão de Nossa Senhora da Boa Viagem até à zona ribeirinha da vila, os estômagos dos marinheiros de água doce foram confortados com um almoço à beira rio. As mesas “plantadas” na areia estavam recheadas de iguarias e não faltava também o vinho, trazido nos barcos, em garrafões de cinco litros.
Chuva não impediu bênção dos barcos

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