uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Provedoria para colocar os cidadãos a participar

Edição de 11.04.2007 | Entrevista
Defendeu a criação do Provedor Municipal. É urgente o aparecimento dessa figura onde os munícipes se possam dirigir? Eu defendo a criação de uma Provedoria Municipal como forma de potenciar a intervenção dos cidadãos. Intervir não é apenas dizer o que está mal. É contribuir para a qualidade da decisão pública. Não concedo a cidadania como instrumento de denúncia das situações erradas, vejo mais como processo de enriquecimento da democracia.Porque é que os cidadãos que reclamam e recolhem centenas de assinaturas porque têm um jardim abandonado no quarteirão onde moram, não se juntam e, com a colaboração das autarquias, limpam e cuidam do jardim? As autarquias também têm aqui responsabilidades de sensibilizar para a cidadania activa?O papel das autarquias deve começar junto dos movimentos populares onde existe crispação e conflitos e onde deve sensibilizar para o conflito saudável e para o debate sem violência. A câmara deve criar mecanismos que envolvam as pessoas na resolução dos seus problemas. É importante que os munícipes saibam o que podem fazer pelo município e tenham uma atitude mais proactiva. Já alguma vez foi tentado a participar numa lista para as autarquias?Já tive convites de várias forças políticas. O que é normal porque sou uma pessoa exposta. Incluindo o convite do PS para a lista liderada por Maria da Luz Rosinha?Sim. Nas penúltimas eleições autárquicas (2001) fui convidado para integrar a lista do PS. Um dia a Maria da Luz abordou-me para me convidar a participar na discussão dos programas eleitorais e eu aceitei desde que não ficasse impedido de participar no debate com outras forças políticas. Na sequência da conversa convidou-me a integrar as listas do PS e eu recusei. Sente que é mais útil como cidadão activo?Dá-me mais prazer estar envolvido na resolução dos problemas da comunidade através dos movimentos de cidadania.É simpatizante do PCP?Tenho muito respeito pelo PCP. Sou filho de um comunista alhandrense. Em jovem, nos anos 70, ouvia dizer ao meu pai que um comunista era um cidadão dotado duma moral superior. Nós tínhamos em casa muitos livros de pensadores comunistas e isso também me influenciou. O que é que o motiva para exercer a cidadania em nome das causas públicas?Há dois valores que para mim são dos mais importantes para o ser humano. O valor do prazer e eu retiro prazer, alegria e bem estar no meu exercício da cidadania. Depois, há o valor do dever que para mim é muito importante e que herdei dos meus pais. O meu pai era um fervoroso comunista e a minha mãe muito religiosa.Há aí um cocktail explosivo?É exactamente assim. Diz-se que o Marxismo-Leninismo e o Cristianismo são filosofias incompatíveis, mas se formos ao pormenor encontramos vários pontos de contacto. Em ambos os casos há fé, há esperança e há utopias. Quer do lado Marxista do meu pai, quer do outro de Cristo, da minha mãe, recebi a noção de dever que me dá a impossibilidade de ficar indiferente ou numa passividade cívica relativamente a coisas que se passam à minha volta e com as quais não posso concordar. Infelizmente no concelho de Vila Franca de Xira há muitas situações com as quais é impossível concordar.É um Cristão-Marxista?Nem me considero nem Marxista, nem cristão. Tenho é uma grande influência dessas duas correntes filosóficas que se reflecte na forma de estar na vida.Despertou cedo para a vida cívica?Comecei a ter intervenção cívica aos 16 anos quando era estudante no liceu de Vila Franca e integrei a associação de estudantes. Era militante da União de Estudantes Comunistas (UEC).Mais uma vez a influência do pai?Do pai e não só. Eu vivia em Alhandra. O meu pai era operário da SodaPóvoa e os meus tios paternos eram dois jovens comunistas que foram militantes na clandestinidade. O PCP tinha profundas influências no concelho de Vila Franca que veio a perder. A intervenção cívica é diferente da actividade política?Quem tem intervenção cívica não quer o poder, prefere influenciar o poder para que tome as melhores decisões para os cidadãos. Aos 16 anos tinha intervenção política, hoje, 30 anos depois, não. A minha intervenção é meramente cívica.

Mais Notícias

    A carregar...