uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
João Apolinário Fulgêncio é mestre entre as abelhas

João Apolinário Fulgêncio é mestre entre as abelhas

Aprendeu apicultura há quarenta anos, pela mão de um amigo. Hoje tem milhares de abelhas distribuídas por mais de quatro dezenas de colmeias. Apesar disso, João Apolinário Fulgêncio diz que se trata de um mero passatempo.

Edição de 11.04.2007 | Identidade Profissional
João Apolinário Fulgêncio lida com as abelhas com o cuidado e respeito de quem delas extrai um produto de excepção. No dia em que mostra a O MIRANTE as suas colmeias o céu apresenta-se ligeiramente nublado. Um bom sinal para os visitantes, explica, porque as abelhas estão com frio e menos agressivas. Retira a tampa e é de imediato envolvido por algumas dezenas de abelhas. Protegido por um fato especial, mostra um quadro, estrutura em madeira com uma rede ao meio, que está quase cheio de mel. Aprendeu o ofício há mais de 40 anos com um rapaz seu conhecido que já era apicultor. Hoje trabalha com o filho, como apicultor licenciado. Possui 42 colmeias num terreno da herdade da Parreira, freguesia da Raposa, concelho de Almeirim. Estão alinhadas ao longo de cinquenta metros, cada uma pode albergar milhares de abelhas que não têm outro fim senão reproduzirem-se e produzirem mel. As colmeias são em madeira. Todas elas construídas por João Fulgêncio.Dentro de cada “micromundo” manda a rainha, abelha maior que as demais que tem de ser forte e ter asas resistentes. Apenas um zangão vai ter oportunidade de fazer a fecundação. Os que ficarem pelo caminho têm o caminho traçado e marcado pelas abelhas guerreiras, são eliminados. Março é o mês da postura dos ovos nos favos da colmeia. Cada caixa possui oito quadros, estruturas em madeira no meio da qual se coloca cera para as abelhas fazerem ninhos e depositarem pólen das flores, que se irá transformar em mel. Cada quadro tem cerca de 50x30 centímetros e pesa poucas gramas. Quando fica cheio cada um deles tem três a quatro quilos de mel. O ano de 2006 não foi o melhor para a apicultura devido à falta de chuva. Muitas abelhas morreram por falta de alimento. Segundo João Fulgêncio a produção ficou-se pelos 200 quilos. “Este ano está a ser muito bom e não será de estranhar que consiga produzir perto de uma tonelada de mel”, aventa o apicultor.O mel que as abelhas de João Fulgêncio produzem têm sabores do pólen e aromas recolhidos na propriedade da Raposa. Alecrim, rosmaninho, eucalipto que lhe dão uma coloração mais escura. É quando o rosmaninho seca que as abelhas ficam com muito alimento à disposição, em finais de Julho, altura propicia à recolha de mel. Nessa época um homem vai à frente e tira a tampa às colmeias. O que vem atrás tira os quadros um a um e raspa o mel para um recipiente. A protecção contra a ira das abelhas na defesa a sua colmeia e da sua produção é conferida por luvas e um fato fechado que pouco desce da cintura. Na zona da cara uma rede permite ver bem sem permitor o contacto com as abelhas. Barulho e cheiros intensos podem ser suficientes para despoletar ataques mais nervosos. João Apolinário confessa que já foi picado algumas vezes mas nada de problemático.Feita a missão, que pode levar mais de um dia para recolher o mel de todas as colmeias, o produto é filtrado numa estrutura de inox para limpá-lo das impurezas e centrifugado para ganhar uma consistência única. Não recebe qualquer aditivo. É diferente do mel gerado pela abelha da cidade, que extrai pólen das flores da laranjeira e de outras árvores de fruto que sai mais espesso e com mais açúcar. O doce atrai inimigos. As formigas pilham as colmeias, furtando mel, larvas e matando as abelhas. Técnicas como embeber uma esponja em óleo queimado aos pés do suporte da colmeia ou a colocação de uma fita ou após com agentes repelentes são algumas das soluções para afastar as formigas.A produção tem sido mais destinada para venda mas nada de muito profissional. Até porque como reconhece João Fulgêncio não existe grande procura de mel do produtor dada a oferta que existe em qualquer supermercado. Ainda assim em 2006 experimentaram rotular frascos com a designação de Mel da Serra. O preço por quilo pode atingir quatros euros. Desse ano João Fulgêncio ainda possui uma talha com cerca de 70 quilos de mel para venda. “Apesar de tudo, esta actividade é mais um entretenimento”, assegura. O apicultor tem-se dedicado apenas à produção e venda de mel. Mas o produto tem diversas aplicações, podendo até ser matéria-prima para a produção de sabonetes, champôs, rebuçados, licores, broas, etc. Bem como possuidor de propriedades terapêuticas com anti-séptico, tratamento de vias respiratórias, infecções e outras aplicações.
João Apolinário Fulgêncio é mestre entre as abelhas

Mais Notícias

    A carregar...