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Deixou máquina avariada à porta da loja em protesto

Deixou máquina avariada à porta da loja em protesto

Cliente sente-se enganado por empresa de electrodomésticos em Alverca

O administrador refuta todas as acusações e afirma que vai lutar pelo seu bom-nome e da empresa em tribunal

Edição de 11.04.2007 | Sociedade
Joaquim Ribeiro, 56 anos, estava longe de saber que a compra de uma máquina de lavar roupa da marca Bosch na loja Drémilo, em Alverca, o levaria a uma forma de protesto no mínimo original. Sem paciência para aguentar mais o problema e porque afirma sentir-se enganado, decidiu devolver a máquina deixando-a à porta da loja onde a adquiriu. Acompanhava-a um apelativo cartaz – dirigido aos transeuntes – a dar conta do sucedido. O facto ocorreu na manhã de sábado, 24 de Março último. Joaquim Ribeiro, a residir no Forte da Casa, decidiu a 21 de Janeiro de 2005 comprar uma máquina na Drémilo, em Alverca. A aquisição custou 275 euros e foi paga a pronto pagamento por cartão de Multibanco. Na altura não deu por isso, mas a factura da loja não referia a data de compra. Acrescentou que a máquina de lavar roupa começou desde o início a ter algumas complicações. “Durou mais de oito meses. Deixou de funcionar por completo a 28 de Outubro de 2005”, frisou.Joaquim Ribeiro quis então accionar a garantia de dois anos, pretensão que disse ter sido recusada na loja de Alverca. A factura não tinha data de compra, por isso seria difícil comprovar a validação da garantia. Pese embora Joaquim Ribeiro ter feito prova através do recibo de Multibanco, a complicação surgiu com “a recusa de António Camilo, dono da Drémilo, em assumir os custos da reparação”. Nem mesmo a garantia de dois anos o salvou da situação.Após ter aberto a máquina de lavar roupa na presença de Joaquim Ribeiro, um técnico da Bosch confirmou que a mesma avariou “por ter estado exposta à urina e aos dejectos de roedores”. A Bosch dirimiu-se da responsabilidade. O orçamento da reparação situou-se nos 287 euros.Joaquim Ribeiro não contesta a explicação. Lembra-se que após a aquisição da máquina, foi-lhe entregue por um técnico da Drémilo, o livro e os panfletos de instruções da máquina de uma forma pouco apresentável. “Estavam amarelados e num dos casos uma folha encontrava-se meio rasgada. Fui à loja em Alverca e foi-me dito por uma funcionária que era fruto de terem estado armazenados juntamente com a máquina. Sei agora que o amarelado deriva da urina dos ratos”, analisa.Inconformado, Joaquim Ribeiro decidiu enviar cartas registadas a expor o assunto à ASAE - Autoridade de Segurança Alimentar e Económica , DECO – Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores e Junta de Freguesia do Forte da Casa.Preencheu ainda uma reclamação no Centro de Informação Autárquico ao Consumidor da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Obteve apenas algumas respostas da DECO, uma das quais em que António Camilo reconhece a data 21 de Janeiro de 2005 como o dia da compra. Recebeu ainda uma carta do presidente da Junta de Freguesia do Forte da Casa, António José Inácio, a lamentar o sucedido.“Basicamente, recorri a tudo o que são instituições pseudo capazes de servir o cidadão, mas de nada serviu”, aquilata Joaquim Ribeiro com natural desolação.“Isto é ridículo. Sinto-me revoltado porque é por demais evidente que o problema está no armazém da Drémilo. Mais revoltante é o facto de o senhor Camilo se recusar a assumir a resolução do problema”, acrescenta Joaquim Ribeiro, que põe de parte recorrer à via judicial, pela demora em obter um veredicto e pelas despesas que tal acção acarretará face ao montante em jogo. Joaquim Ribeiro afirma que vai mediatizar ao máximo todos os episódios que viveu ao longo dos últimos dois anos com a Drémilo. A razão é simples: “Porque hoje fui eu, amanhã pode ser outra pessoa”, vincou.Drémilo refuta todas as acusações e vai recorrer ao tribunalPor seu lado, António Camilo refuta todas as acusações que lhe são dirigidas por Joaquim Ribeiro. O responsável da Drémilo acrescenta que sempre se mostrou cooperante com as entidades competentes, nomeadamente a DECO, para a clarificação da situação. “Se até ao momento nenhuma deliberação me foi imputada é porque não tenho qualquer tipo de responsabilidades no assunto”, vincou, ao mesmo tempo que disse ter à disposição o armazém e as quatro lojas para futuras verificações. “Garanto que não há roedores”, disse. António Camilo salienta também sentir-se agastado pela situação criada por Joaquim Ribeiro, “porque uma coisa é a provocação pessoal e outras são as mediatizações na praça pública sem qualquer tipo de fundamento”. Por ser da opinião que Joaquim Ribeiro se encontra a afectar o bom-nome da Drémilo, António Camilo conclui que vai defender o seu bom-nome e da empresa pela via judicial.
Deixou máquina avariada à porta da loja em protesto

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