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Jerónimo de Sousa acusa Banco de Portugal de "cinismo" e falar "de cátedra"

Secretário geral do PCP deixou críticas durante um comício em Santarém
O secretário-geral do PCP acusou sábado em Santarém os responsáveis do Banco de Portugal de "grande cinismo", apelidando-os de "membros da corte com altas remunerações e mordomias" que falam "de cátedra" e defendem sacrifícios "sempre para os outros". Jerónimo de Sousa, que participou num comício no auditório do Instituto da Juventude, criticou o Boletim da Primavera do BdP, divulgado a semana passada, por não gastar "uma linha" a analisar o facto de Portugal ser o país da União Europeia "que tem a maior desigualdade na distribuição do rendimento".O líder comunista considerou um "verdadeiro escândalo" que os 20 por cento de população portuguesa com rendimento mais elevado tenham um rendimento 8,2 por cento maior do que os 20 por cento da população com o rendimento mais baixo, conforme os últimos dados do Eurostat. "O Boletim da Primavera do Banco de Portugal não gasta uma linha a analisar esta situação" nem propõe soluções para a sua resolução, acusou.Contudo, disse, o BdP "parece muito preocupado com o facto de os trabalhadores do sector privado nacional terem tido ao longo de 2006 um aumento salarial médio de cerca de 2,5 por cento, apesar da inflação ter sido de 3,1 por cento, isto é, apesar dos salários terem perdido poder de compra". "Mais uma vez, estes membros da corte com altas remunerações e mordomias aí estão a defender e justificar a baixa dos salários e a indicar o caminho da flexibilidade laboral", defendendo mais sacrifícios "sempre para os outros", acrescentou.O secretário-geral do PCP lamentou ainda que o BdP, apesar de reconhecer o elevado nível de desemprego no país e o peso do desemprego de longa duração, ao invés de defender "uma mudança de políticas monetaristas e restritivas", atribua a situação à "elevada cobertura financeira do regime de subsídio de desemprego"."É bom não é? Falar de cátedra contra o subsídio de desemprego que nunca terão, garantida que está em meia dúzia de anos a sua reforma dourada quando saírem de administradores?", interrogou, criticando o "grande cinismo daqueles que têm contribuído também para o actual atraso do país".Jerónimo de Sousa falava para perto de 200 militantes que não conseguiram encher o auditório do Instituto da Juventude, em Santarém, e em que, mais uma vez, foi notória a ausência da única deputada comunista eleita pelo distrito, Luísa Mesquita. O comício inseriu-se na campanha que o PCP tem a decorrer até Junho intitulada "Basta de Injustiça! Mudar de política, para uma vida melhor", tendo Jerónimo de Sousa apelado à forte participação na greve geral convocada pela CGTP-In para 30 de Maio.

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