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A política não se resume aos partidos

O posicionamento do Cartaxo em relação a alguns assuntos e nomeadamente em relação a este tem, como pano de fundo, a perspectiva da construção do novo aeroporto internacional de Lisboa em Ota. Tem. Eu vou defender - e brevemente haverá novidades nesta matéria - uma mobilização a nível regional e nacional para afirmar que a Ota é um desígnio nacional. É preciso compreender o que a Ota representa. E perceber o que se está a passar com interesses que surgem a defender modelos alternativos. A Ota representa uma cidade aeroportuária com um modelo de desenvolvimento difuso. Ou seja, a cidade aeroportuária da Ota vai ter um núcleo que é o aeroporto, que vai cair em cima do município de Alenquer e da Ota, são cerca de 1.800 hectares. E depois vai haver quatro eixos fundamentais. Dois a Norte e dois a Sul. Um desses eixos é o eixo Cartaxo, Santarém, Lezíria e Vale do Tejo. O outro eixo a Norte é o eixo Rio Maior, Oeste, Leiria, Alcobaça, Coimbra. A sul Benavente, Porto Alto e uma zona mais a Sul. Do outro lado, Sudoeste, vamos apanhar Cascais, Oeiras, Grande Lisboa, Arruda, Cadaval. A Ota são os quatro milhões de pessoas que habitam nestes quatro eixos. E cada município desta malha enorme vai beneficiar e poder potenciar o seu melhor. É normal que defenda a Ota com unas e dentes. Há quem defenda a Ota sem pertencer aos municípios que têm a ganhar com a construção do aeroporto naquele local, como sabe. E há quem ande ao sabor dos tempos. Apresentei um protesto público claro, criticando de uma forma acérrima a posição do PSD Distrital de Santarém, nomeadamente dos deputados Miguel Relvas e Vasco Cunha. Eles estão hoje – porque no passado não estavam – contra o projecto da Ota. Critiquei-os porque entendo que essa posição prejudica a região e o país. A Ota é um projecto estruturante que vai criar uma nova dinâmica de actividade económica e de serviços que é estruturante para a tal região com quatro milhões de habitantes. Com as críticas aos deputados do PSD atenua as críticas que o seu partido não deixará de lhe fazer pela posição em relação às águas e saneamento na CULT? Está a criar transtornos políticos graves ao PS.Eu nunca tive receio das críticas do meu partido. Sempre que eu estiver a defender os interesses do meu município e os interesses da população que me elegeu, o Partido Socialista poderá criticar-me e deve fazê-lo nos sítios próprios mas estou no legítimo direito do exercício da minha função. É para isso que sou autarca. Para tomar decisões e defender o meu concelho.Já parece o deputado do “queijo Limiano”.Eu tenho uma visão da política que não é uma visão partidocrata. A política não se resume aos partidos. A política deve servir as pessoas. E mesmo contra o meu partido, em determinadas circunstância e com o devido respeito pela legitimidade que o Partido Socialista tem, não posso deixar de emitir a minha opinião e de tomar decisões. Não vou deixar de defender os cidadãos do meu concelho para, pura e simplesmente, respeitar o que são os interesses do partido. As pessoas hoje não querem isso. Ser autarca é ser um político deferente. Um autarca tem como obrigação fundamental defender as pessoas da sua terra. Isso não é contraditório com a sua presença no jantar de solidariedade com Sousa Gomes promovido pela Federação Distrital de Santarém do PS que, entre outros assuntos, tinha como pano de fundo a saída de Santarém do projecto Águas do Ribatejo?A minha solidariedade para com o presidente Sousa Gomes é uma solidariedade pessoal, política e de grande respeito. Não é uma solidariedade partidária.A iniciativa era partidária.Eu estaria sempre presente independentemente de quem fosse a iniciativa. Tenho uma posição coerente. O encontro de solidariedade foi motivado também pela circunstância de ataques pessoais e políticos ao Sousa Gomes, que mereciam o meu repúdio. E também com o administrador António Torres cuja actuação no processo Águas do Ribatejo foi frequentemente criticada pelo presidente da câmara de Santarém?O administrador António Torres é um funcionário da CULT. Os grandes responsáveis pela gestão da CULT são os presidentes de câmara dos municípios que a integram. Naturalmente que compete ao administrador-executivo exercer as suas funções com competência e gerir os processos de uma forma diligente.E isso tem acontecido?Dos actos que conheço isso tem acontecido. Dos que desconheço, não sei. Apesar das palavras simpáticas em relação ao presidente da CULT e da Câmara de Almeirim, Sousa Gomes, presumo que nesta altura seja complicado conversarem sobre qualquer assunto.Nós continuamos a falar sobre aquilo que são os desígnios fundamentais da região. Pessoal e politicamente o respeito é recíproco.No tempo em que o Miguel Relvas foi Secretário de Estado da Administração Local e avançou com alterações a nível da organização administrativa, Sousa Gomes defendeu a CULT opondo-se à ideia defendida pelo PS Distrital de uma área metropolitana que englobaria todo o Distrito de Santarém. E fê-lo com o argumento que a nível da Lezíria havia uma unidade inabalável ao contrário do que se passava, segundo ele, no Médio Tejo. Esta situação agora criada com o desenrolar do processo Águas do Ribatejo faz ruir o que defendia.Deve ser assumido com realismo que o projecto Águas do Ribatejo foi e é um projecto fracturante. Isso não nos pode impedir de darmos o salto e interpretar como desafios fundamentais outros projectos estruturantes e fulcrais para o desenvolvimento da Lezíria. Chegou a hora de abarcarmos projectos conjuntos. O das águas e saneamento não resultou e não há nada a fazer.

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