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Dinastia Ribeiro Telles enche centro cultural de Samora

Dinastia Ribeiro Telles enche centro cultural de Samora

Mestre David é o pilar de uma família de toureiros de corpo inteiro

A ausência de Mestre David foi sentida, mas o filho João deu a volta e lidou a preceito. Cerca de três centenas de aficionados reagiram com emoção às imagens do patrono duma família que faz a história do toureio a cavalo.

A saúde pregou uma partida a Mestre David Ribeiro Telles e impediu-o de estar presente num colóquio sobre o cavalo de toureio realizado na quarta-feira, 2 de Maio, e integrado na Semana Taurina de Samora Correia. Mesmo sem a presença do patriarca da família e do filho António que não conseguiu chegar a tempo do colóquio, o centro cultural esgotou e cerca de três centenas de aficionados aplaudiram o patrono da Dinastia Ribeiro Telles quando a sua imagem apareceu no ecrã gigante. “O meu pai é o pilar da nossa casa. É o homem que nos comanda. Está sempre disponível para tudo”, refere João Ribeiro Telles comentando uma fotografia onde o pai aparece sentado numa carrinha a seguir atentamente um treino no picadeiro da Torrinha, herdade propriedade da família em Coruche.Num sofá de pele, estavam cinco netos do Mestre David Ribeiro Telles, incluindo os dois jovens cavaleiros-João Ribeiro Telles jr e Manuel Telles Bastos, filho e sobrinho de João Palha Ribeiro Telles. O cavaleiro explicou que ainda vai toureando, mas está agora mais preocupado em preparar cavalos para os novos cavaleiros da dinastia. João Ribeiro Teles revelou o pormenor curioso da analogia entre as dinastias de cavaleiros e cavalos. Os filhos de mestre David tourearam com cavalos filhos dos cavalos do pai e os netos do patriarca usam hoje cavalos que são netos dos utilizados pelo avô. “A genética é tão importante no cavaleiro como no cavalo”, frisou João Ribeiro Telles.O cavaleiro confessou que sente um arrepio quando o filho ou o sobrinho estão na cara do toiro, mas nada comparado com o que sofre quando ele próprio está diante o opositor. “Mentia se dissesse que sofro mais com o meu filho ou o meu sobrinho. Sofrer é quando fecham a porta, tocam a gaita e sai o boi”, referiu com humor. Questionados sobre a responsabilidade de integrarem a dinastia, os jovens cavaleiros responderam com palavras simples como as que aprenderam do avô. “Eu não tenho muito jeito para falar, mas tenho um grande respeito pelo público e sei a responsabilidade que trago às costas”, disse João Ribeiro Telles jr. “Temos de orgulhar sempre o nome da nossa família e nunca sujar”, acrescentou Manuel Telles Bastos, cavaleiro que tomou a alternativa em Setembro no Campo Pequeno numa corrida emocionante com toda a dinastia.No colóquio de Samora Correia, os cavaleiros estavam acompanhados das meninas da Torrinha. Graça, Maria e Matilde são netas de Mestre David Ribeiro Telles e seguem atentamente todos os passos dos cavaleiros da casa.A família Ribeiro Telles foi presenteada com um poema de Piedade Salvador onde a poetisa de Samora Correia homenageou a corrida à portuguesa de que o clã Ribeiro Telles é exímio executante.João Ribeiro Telles emocionou-se e agradeceu o carinho dos aficionados de Samora Correia, uma localidade com a qual a família sempre manteve laços de amizade. “Era aqui, à Ganadaria Oliveiras & Irmãos, que vínhamos buscar vacas bravas para sementais. Era aqui que tínhamos o mestre correeiro Silvino e agora temos o Farto que nos faz todos os trabalhos”, referiu. O cavaleiro sublinhou a importância da vila taurina pelas suas ganadarias, pelos seus cavalos e pelos seus campinos. “Os senhores devem ter orgulho da vossa terra e das vossa gentes”, concluiu.
Dinastia Ribeiro Telles enche centro cultural de Samora

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