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Autoridades investigam constituição de milícia popular em Alcorochel e Brogueira

Os supostos autores dos assaltos estão identificados num panfleto posto a circular

Os autarcas das freguesias envolvidas denunciaram o caso às autoridades, que se encontra sob investigação.

Edição de 16.05.2007 | Sociedade
O Ministério Público (MP) está a investigar o conteúdo de um panfleto posto a circular nas freguesias de Alcorochel e Brogueira, concelho de Torres Novas, por um chamado “grupo de auto defesa” que afirma ter constituído uma milícia popular para combater a alegada onda de assaltos e roubos que se têm verificado nas duas freguesias.O panfleto foi distribuído em diversos locais comerciais, particularmente em Alcorochel, levando o presidente da junta de freguesia local a deslocar-se à GNR de Torres Novas para lhes dar conhecimento da situação. De acordo com o comandante distrital da GNR, tenente-coronel Vítor Lucas, foi já levantado o respectivo auto de notícia e enviado ao MP, no sentido deste investigar o seu conteúdo.O comunicado do denominado Grupo de Auto Defesa de Brogueira/Alcorochel diz que a constituição da milícia popular visa “auxiliar as autoridades” a acabar com a onda de assaltos e roubos se que vêm verificando ultimamente nas freguesias “sem que a GNR e tribunal façam alguma coisa para proteger pessoas e bens”. E adianta ainda que irá “vigiar de forma particular” uma “quadrilha de bandidos” composta por sete pessoas cujos nomes constam no papel distribuído.Os presidentes das juntas de freguesia referidas preferem não tecer grandes comentários ao panfleto, adiantando apenas esperar que as autoridades competentes resolvam o assunto. Diamantino Bernardo, presidente da freguesia de Alcorochel, referiu a O MIRANTE “ter feito a sua obrigação” ao entregar cópia do panfleto à GNR de Torres Novas, por entender “ser ilegal” existir um grupo de pessoas que pretende fazer justiça pelas próprias mãos. “A situação é grave, ainda mais quando há pessoas devidamente identificadas”, refere Diamantino Bernardo, acrescentando que “uma coisa é falar-se que esta ou aquela pessoa faz roubos outra é ter certezas e factos para apresentar”.Abel Resina de Sousa, presidente da freguesia de Brogueira, diz não querer “meter-se” neste assunto, considerando que a suposta constituição deste grupo não é mais que “um acto terrorista” que vai “contra a Constituição da República Portuguesa”. Confirmando ter havido diversos assaltos e roubos na zona – “nos últimos meses diminuiu consideravelmente” -, o autarca salienta que o principal problema reside no facto de a maioria das pessoas não apresentar queixa. Referindo-se ao teor do panfleto, Abel Resina de Sousa afirma conhecer as pessoas cujos nomes são ali referenciados. Diz tratar-se uma família já referenciada e considera que outras instituições, nomeadamente Segurança Social e Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, deveriam ser chamadas já que há menores envolvidos. “Mais do que um caso de polícia, é um caso social”.A GNR está neste momento a contabilizar o número de roubos e assaltos nas duas freguesias, para enviar também ao Ministério Público. “Sabemos que ali há assaltos e roubos mas também os há pelo distrito inteiro”, diz Vítor Lucas, adiantando que a intenção de quem fez o panfleto “não é inocente”. “Há situações que já vêm a ser investigadas pela guarda e que estão no âmbito do segredo de justiça”. O certo é que a GNR tem vindo a intensificar a sua acção no terreno. “É raro o dia que não vejo um carro da guarda por aqui” diz o presidente da Junta de Alcorochel, afirmação partilhada pelo colega de Brogueira.

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