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Palmira Horta cumpriu pedido que lhe foi feito numa cama de hospital

Palmira Horta cumpriu pedido que lhe foi feito numa cama de hospital

Vinte e seis jaquetas vermelho sangue para homenagear José António Félix, forcado de Azambuja

A estilista de Azambuja Palmira Horta ofereceu 26 jaquetas aos forcados da vila. Os “rapazes” estreiam as peças na corrida de toiros da Feira de Maio.

Edição de 23.05.2007 | Sociedade
Um dia José António Félix, um dos fundadores do Grupo de Forcados Amadores de Azambuja, pediu a Palmira Horta que vestisse os forcados da vila. O pedido, feito numa cama de hospital, poucos dias antes de desaparecer, deixou a estilista com receio de não estar à altura do último desejo manifestado por um amigo de infância. Quatro anos depois Palmira Horta cumpriu a promessa. E entregou 26 jaquetas aos forcados de Azambuja. As peças são cor de vermelho sangue com cordão de seda e botões dourados.Palmira Horta não esquece as palavras trocadas com o forcado de Azambuja. “Disse-me que conseguiria concretizar este sonho porque conseguia tecidos mais baratos e a mão-de-obra era minha”, recorda a estilista sublinhando que tudo partiu de um pedido expresso do ex-cabo do grupo, conhecido como “Patinhas”, que doou à estilista o seu fato de forcado.O tecido da jaqueta exposta no atelier da estilista, no coração de Azambuja, que José António Félix envergou nos anos 70, é muito próximo do brocado escolhido por Palmira Horta. “Há quarenta anos que os forcados não tinham jaquetas vermelhas. Tem um simbolismo grande”, revela a estilista que lembra que as jaquetas são normalmente oferecidas por diferentes entidades o que limita a possibilidade de escolha. Palmira Horta garante que os forcados ficaram emocionados e surpreendidos com a oferta. Quase todos se comoveram durante a prova que foi só o confirmar de medidas. Por entre todos compraram uma peça de pano cor de mel para os calções. E a estilista ofereceu a mão-de-obra para que os rapazes da terra se apresentem renovados na corrida da Feira de Maio marcada para dia 27. É condição que as peças, benzidas e entregues na cerimónia de quinta-feira da espiga, permaneçam como propriedade do grupo. As jaquetas permitem a liberdade de movimentos aos forcados. São uma segunda pele. Palmira Horta dedicou 22 dos seus dias a confeccionar as 26 peças. Entre tirar as provas com os rapazes, como lhes chama, e cortar as jaquetas. “Mas durante esses 22 dias fiz outros trabalhos da loja em Lisboa”, sublinha a artista que garante que forjou as peças com o coração. “Não sou rica. E o que fiz foi um completa loucura”, confidencia. Comprou o tecido e ofereceu o seu tempo e arte à causa. Aborrece-se quando se aborda a questão do preço. Confessa que nenhum dinheiro do mundo pagaria o trabalho de vestir os seus rapazes. “Não quero que me compreendam. Os artistas como todos sabem são loucos. E esse é um estatuto que a mim me assenta bem. Sou diferente e louca”.
Palmira Horta cumpriu pedido que lhe foi feito numa cama de hospital

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