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Crianças passam a noite na discoteca sem o olhar dos pais

Psicóloga valoriza iniciativa da Associação de Promoção Social

As crianças foram confiadas pelos pais à Associação de Promoção Social que organizou pela noite dentro uma mostra de cinema, um desfile de moda e um convívio na discoteca improvisada na instituição

Edição de 06.06.2007 | Sociedade
A Associação de Promoção Social (APS) de Castanheira do Ribatejo proporcionou a 98 utentes da valência do ATL do 1º e 2º ciclos - para crianças entre os 6 e os 12 anos - o primeiro contacto com a diversão nocturna, num evento denominado “As Cores da Noite” que esteve inserido nas comemorações do Dia Mundial da Criança. Uma mostra de cinema, um desfile de moda e uma sessão de discoteca pela noite dentro foram algumas das atracções do evento que decorreu nas instalações da associação na noite de sexta-feira para sábado - de 1 para 2 de Junho. O MIRANTE foi ouvir o que quatro crianças sentiram com este evento especial. Elegeram a ida à discoteca como o ponto alto da noite. André Malta, 9 anos, gostou da música porque andou “sempre a bombar”. Vestido à dread, com calças largas, chapéu da Nike e uma camisola rosa, afirmou que aguentou sem sono e cansaço até a discoteca fechar. No entanto, sabe que quando for a uma discoteca a sério vai ter cuidado com o que bebe, não vá algum desconhecido pôr droga no seu copo.Sofia Henriques, 7 anos, gostou da discoteca, porque o som foi a contento. Adorou as músicas juvenis da Floribela, Bebé Lili e dos Docemania. Lamenta apenas não ter visto quase nada por causa de tanta luz. Sofia referiu que se sentiu bem com a experiência e que a quer repetir muito mais vezes. No entanto, tem receio de ser vítima de violência se for a uma discoteca de verdade.Maria Inês, 9 anos, tinha cinco anos quando ouviu pela primeira vez falar em casa sobre discotecas. Estava por isso ansiosa em saber como é que seria a ida a uma. “Foi divertido. Não tive sono. Não dei pelo tempo passar”. Referindo querer repetir esta experiência somente se for a uma de verdade, Inês tem a consciência de que as discotecas de hoje não são seguras. A pequena aproveitou a tarde de sábado para pôr o sono em dia. Ricardo Bento, 9 anos, foi para dançar e brincar com os amigos. “Quando for grande é que vai ser. Vou repetir para o resto da minha vida, até ser velhote”, referiu. Ricardo não trouxe dinheiro nem telemóvel, uma das regras impostas pela APS. Sabe que assim não correu o risco de ser roubado. Percebeu ainda que é fácil ficar alcoolizado se beber demais nas discotecas. Carla Lima, 28 anos, é mãe da pequena Raquel. Autorizou a filha de 6 anos a participar no evento por ser uma “situação diferente, até porque as crianças amadurecem cada vez mais depressa e esta iniciativa visa prepará-las para o futuro”. Carla Lima desvalorizou o horário da iniciativa porque “foi uma ocasião especial que não acontece todos os dias”. Notou ainda que a sua filha “andou excitadíssima” após ter regressado a casa.Ana Cristina, de 32 anos, foi também a favor da iniciativa porque a sua filha Cristiana Rua, de 8 anos, ficou a saber o que é ter uma experiência de adolescente. “Embora tenha tempo para saber, ficou já a saber o que é passar uma noite fora de casa”, disse a mãe, que acrescentou: “Esta iniciativa ajudou a minha filha a crescer ao incutir-lhe um sentido de responsabilidade. Sentiu o que é sair à noite, deitar-se de madrugada, para se levantar cedo. São coisas que se as crianças não experimentarem, não ficam a conhecer”, justificou. O cancelamento de uma gincana agendada para o pátio da associação antecipou a sessão de discoteca, que abriu as portas às 3h00 e prolongou-se até cerca das 4h30 da madrugada. A tradicional bola de luzes no tecto acompanhou o cenário colorido fruto de luzes psicadélicas. A recriação foi a melhor possível do ambiente de uma discoteca para adultos. O bar ficou instalado a um canto. As bebidas alcoólicas deram lugar aos refrigerantes com gás e aos croissants com queijo e fiambre. Uma sala contígua acondicionou colchões para quem teve pouca pedalada para aguentar a noite. Anteriormente, as atenções estiveram centradas num desfile de moda. Uma mini passerelle em forma de “T” foi aproveitada pelos jovens da APS para mostrar os seus atributos. A sessão de cinema numa outra sala da associação pôs a pequenada em contacto com as aventuras de Nickelodeon. Não faltaram os tradicionais sacos de pipocas. As crianças foram confiadas pelos pais à instituição para passarem uma noite diferente, a partir das 20h00 de sexta-feira. Regressaram a casa às 8h30 do dia seguinte. Instituição enaltece experiência pedagógicaJosé Nunes, presidente da APS, sublinhou o carácter pedagógico da iniciativa. “Ao proporcionarmos uma experiência deste género, existiu o cuidado das educadoras alertarem as crianças para alguns malefícios que a diversão nocturna encerra. Penso que esta experiência marcará de forma positiva o futuro destes jovens”, referiu José Nunes, ao que acrescentou: “A condição das crianças ficou salvaguardada, porque puderam ir dormir na sala ao lado assim que entendessem. Como a iniciativa antecedeu o fim-de-semana, foi de crer que a recuperação do cansaço decorreu sem problemas de maior”. A valência do ATL do 1º e 2º ciclos da APS de Castanheira do Ribatejo tem 140 utentes.

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