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Foi a doença da mãe que motivou Manuel Cebola a seguir medicina

Médico distinguido com o galardão de mérito da freguesia do Forte da Casa

A família queria que fosse padre. Manuel Cebola é um homem de fé que reza pelos seus doentes. O médico correu risco de vida em bebé quando um padre o baptizou de urgência porque todos pensavam que iria morrer. Sobreviveu e ao longo de 25 anos ajudou centenas de doentes que conhece pelo nome.

Edição de 18.07.2007 | Sociedade
O “Doutor Cebola” é um dos médicos mais conhecidos no concelho de Vila Franca de Xira graças à sua competência profissional, disponibilidade e à forma como cria empatia com os doentes que o consideram um amigo. Manuel Antunes Cebola, de 58 anos, dá consultas na região desde o início da década de 80, altura em chegou também a trabalhar no Hospital Reynaldo dos Santos, em Vila Franca de Xira.Não fez fortuna material, mas conquistou amigos e admiradores. Alguns surpreenderam-no com a sua presença na entrega do galardão de mérito comunitário atribuído pela freguesia do Forte da Casa na noite de quinta-feira, 12 de Julho.“Nem sei como eles sabiam que eu ia receber o prémio, eu não disse a ninguém”, comenta. São laços que se criam entre aqueles que precisam dos seus cuidados e o médico que sempre se esforçou por ser muito mais do que isso.“Quando me informaram que tinha ganho o prémio, correram-me lágrimas”, confessa, ainda emocionado, após a entrega do galardão. “Vim para a medicina por vocação e por luta”, explica o médico que nasceu em Pampilhosa da Serra, mas dedicou a vida à comunidade de Vila Franca. O pai era mineiro e nunca teve muitas condições para pagar a educação que o filho merecia. Aos 8 anos, a doença da mãe fez com que decidisse que haveria de ser médico. “Vi a minha mãe a sofrer e disse-lhe que quando crescesse iria ser médico e trataria dela”, recorda.Manuel Cebola foi director e delegado de saúde em várias outras regiões do país, como Mafra, Ourém ou Beja, mas sem nunca ter deixado os seus pacientes de Vila Franca, mesmo que isso implicasse dormir apenas um par de horas por noite.O Doutor Cebola mora na Póvoa de Santa Iria desde 1983 e é nessa região sul do concelho que se concentra a maioria dos seus pacientes. O médico acompanha muitos deles desde a infância até à idade adulta e não é por serem muitos que lhes desconhece os nomes ou as histórias de família. “Até encontro agora pacientes meus que se tornaram médicos e dizem que eu os influenciei”, diz, sem esconder a satisfação, o médico que já chegou a ir a casamentos de pacientes seus. Para conseguir alcançar o seu sonho, Manuel Antunes Cebola teve que começar a trabalhar muito cedo e aos 14 anos embarcou para Angola, onde estudou, trabalhou e fez a tropa. De regresso a Portugal, ingressa com uma bolsa de estudo na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e consegue até a proeza de concluir o curso antes do tempo previsto. Um ano depois já era médico no concelho. “Gostava de cirurgia mas acabei por enveredar pela área da saúde pública porque o que queria era prestar serviço à comunidade”, frisa.Um médico que rezapelos doentesManuel Antunes Cebola confessa-se um homem religioso. Recorda a noite em que teve duas chamadas para prestar apoio ao domicílio em duas casas em simultâneo. A caminho da casa do primeiro paciente, não parou de rezar para que o outro conseguisse aguentar a espera. Salvaram-se os dois. A fé do Doutor Cebola já vem de longe. Ainda bebé, sofreu uma crise respiratória que levou a família a pensar que ele não sobreviveria. O irmão, doze anos mais velho, levou-o a meio da noite até ao padre, para que fosse baptizado antes de falecer. Esqueceu-se, porém, de escolher os padrinhos do baptismo. O padre, compreendendo que o momento era de desespero, aceitou que o irmão ficasse como padrinho e, como madrinha, escolheu uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. A mãe e o irmão queriam que Manuel fosse para padre e este até chegou a ser sacristão. Porém, o chamamento da medicina foi mais forte. A freguesia do Forte da Casa agraciou-o com o galardão de mérito comunitário “não por ser médico mas por ser uma pessoa com um grande coração”.

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