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Centenas de fiéis na procissão de Nossa Senhora da Paz em Benavente

Centenas de fiéis na procissão de Nossa Senhora da Paz em Benavente

O cariz religioso da festa está bem vincado e renova-se todos os anos

O cortejo onde se pagaram promessas e se pediu a ajuda da padroeira durou duas horas e meia a percorrer as várias ruas da vila. No final foram anunciados os novos festeiros que organizam a festa de 2008.

Edição de 08.08.2007 | Sociedade
O som da fanfarra ao longe é sinal que os juízes de 2007 das festas em honra de Nossa Senhora da Paz estão a chegar ao Parque 25 de Abril na companhia da juíza e das aias. A tarde de domingo, 5 de Agosto, está convidativa ao acto religioso. Uma multidão que se encontra no exterior da Igreja Matriz de Benavente aguarda ansiosamente o início da procissão, presidida pelo padre Humberto Coelho, a convite do pároco da vila.A abrir o cortejo litúrgico vai a cruz da procissão, ladeada por dois candeeiros. Segue-se a fanfarra dos Bombeiros Voluntário de Benavente, que vai marcando a cadência ao longo do percurso. Teresa Machado, 5 anos, está radiante. É a juíza da festa e enverga um vestido creme com a tradicional medalha ao peito em honra da Nossa Senhora da Paz. As mãos seguram a bandeira com a imagem da Santa. Ao seu lado vão as aias, Carlota Martins e a irmã da juíza, Mafalda Machado, ambas de 9 anos. O laço creme a apanhar o cabelo é comum às três meninas, que têm atrás de si Paulo Rocha “Salsinha”, António Calado e Domingos Godinho, respectivamente, juiz, tesoureiro e secretário das festas religiosas de 2007. Estão acompanhados imediatamente a seguir por festeiros de anteriores edições. David Guerra, José Nepomuceno e Luís da Paz, foram, res-pectivamente, tesoureiro, secretário e juiz em 2005. No cortejo segue também João Palmar, secretário em 1973. Enverga a bata branca, a capa azul e ostenta o medalhão já amarelado pelo passar dos anos. António Augusto Trindade, juiz em 1983, é outro dos antigos festeiros que faz o percurso.Três escoteiros integram também a procissão. Outros, orientam as pessoas na formação das filas laterais, como é o caso de Diogo Medeiros. A primeira paragem é efectuada em frente à sede do Grupo 66 da Associação de Escoteiros de Portugal (Benavente) para saudação ao andor com a imagem da Santa. À passagem pelo Hospital da Santa Casa da Misericórdia vislumbra-se muitos idosos, alguns dos quais em cadeiras de rodas. No cortejo vê-se também os estandartes da Nossa Senhora da Paz, de São Baco, e mais atrás do Sagrado Coração de Jesus. A acompanhar o acto religioso encontra-se Eugénia Barros, de 70 anos, com um terço na mão. Afirma que Nossa Senhora tem ouvido as suas orações e por ser crente tem sempre promessas para pagar. A procissão passa agora pela Escola Secundária de Benavente. Margarete Soledade, com o auxílio de um microfone, vai entoando as orações e cânticos religiosos com o acólito Octávio Correia e que são acompanhadas por populares. Uns metros depois vislumbra-se o palio, onde o sacerdote que preside à procissão se encontra a coberto, levando na mão o santo lanho, que supostamente terá uma lasca da cruz onde Cristo foi crucificado. Ao seu lado vão mais dois acólitos. Segue-se o púlpito com quatro bombeiros da corporação de Benavente que fazem a guarda de honra.Mais atrás vão duas lanternas de cada lado a ladear o andor com a imagem de Nossa Senhora da Paz. Foi levada em ombros por quatro pessoas, com outras seis por perto para as substituições. Carlos Trindade, 38 anos, segura pelo terceiro ano no andor. Embora seja católico, não praticante, é da opinião que não é por isso que as pessoas não deixam de ter mais fé, até porque faz o percurso com gosto. Ao carregar o andor pela primeira vez, Paulo Marques, 32 anos, concretiza assim um desejo antigo. O convite que recebeu de véspera veio por isso a preceito.Atrás da imagem religiosa, segue a banda dos Bombeiros de Salvaterra de Magos, cujo maestro Daniel Manuel Alexandre é, respectivamente, catequista da paróquia e director do coro municipal de Benavente. Rituais que passamde pais para filhosA procissão converge para a casa da juíza, situada na Urbanização Quinta de São José. De joelhos, à entrada do interior da habitação estão Palmira Machado, mãe da juíza, e Maria João Oliveira e Cristina Morte, mães das aias. Recebem a visita dos festeiros e das crianças. Imediatamente atrás encontra-se o andor com a Santa. A varanda é enfeitada por uma colcha. Ao portão, vislumbra-se no chão ramos de alecrim e rosmaninho. A procissão segue o seu caminho, agora em direcção à casa do juiz Paulo Rocha “Salsinha”, no Bairro da Caixa. Durinda Perpétua, 57 anos, está com algumas dores nas pernas, mas diz que “não custa nada” porque faz o percurso com fé. O ritual é novamente cumprido a preceito, agora com as esposas dos festeiros de joelhos. Maria Costa, 62 anos, aproveita a ocasião para apanhar um ramo de alecrim do chão. Vai levar para casa para dar boa sorte porque sabe que está abençoado. A próxima paragem é em frente ao quartel da Associação dos Bombeiros Voluntário de Benavente. É feita a apresentação da imagem de Nossa Senhora da Paz, que abençoa o quartel com honras de marcha e continência. Donaldo Ildefonso, vice-presidente da corporação, aproveita para cumprimentar os juízes da festa. Entre os devotos, João Paulo, 33 anos, cumpriu uma promessa antiga, relacionada com a vida particular e profissional. Para mostrar reconhecimento, ofereceu a Nossa Senhora da Paz um conjunto de flores com orquídeas, geribérias, antúrios, entre outras espécies que enfeitaram o andor.
Centenas de fiéis na procissão de Nossa Senhora da Paz em Benavente

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