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Noventa por cento das chamadas para o 112 são falsos alarmes

Noventa por cento das chamadas para o 112 são falsos alarmes

Operadores confrontam-se com brincadeiras, insultos e até pedidos de ajuda

A central da PSP que recebe todas as chamadas do distrito de Santarém para o número 112 chega a registar mais de três mil telefonemas por dia, mas só uma pequena parte são situações de emergência.

Edição de 08.08.2007 | Sociedade
Às 14h45 de segunda-feira a central de emergência do comando da PSP de Santarém, onde caem todas as chamadas para o número de emergência 112 no distrito, recebe a chamada de um homem a dizer que está na auto-estrada entre Lisboa e Torres Novas e que furou um pneu do carro. “O senhor tem ligar para a assistência em viagem, não quer que lhe mande uma ambulância para mudar o pneu pois não?”, responde o agente principal Carlos Gonçalves. Este é apenas um dos exemplos de má utilização do número de emergência. O outro operador da central, Ricardo Marzia, conta que há pessoas que só telefonam para os insultar, jovens que ligam dezenas de vezes mas que depois quando o telefone é atendido não falam. Na estimativa dos polícias destacados para este serviço, 90 por cento das chamadas são falsos alarmes ou brincadeiras. O agente principal Brito conta que há pessoas que chegam a ligar 50 vezes por dia com brincadeiras, sobretudo no tempo de aulas. Mas também há casos caricatos. No sábado este operador tinha recebido uma chamada de uma criança de três anos do Cartaxo que estava sozinha em casa e só queria falar com alguém. Durante a noite também é frequente alguns idosos que vivem sozinhos e em locais isolados ligarem para o 112 só porque precisam de conversar com alguém. O agente Brito lembra o caso de um rapaz que telefonou várias vezes e numa delas dirigiu vários impropérios ao operador. A conversação foi gravada e à noite este conseguiu que a mãe da criança atendesse o telefone. A progenitora não queria acreditar nas queixas do polícia e só quando este reproduziu a gravação ela acreditou. Normalmente quando fala com os pais, estes desculpam-se com o facto do filho estar “só a brincar com o telemóvel”. Os mais espertos ligam de cabines telefónicas para não serem identificados. Há o caso de um grupo de jovens do lar dos rapazes de Santarém que uma vez estava a usar o número de emergência para brincar. O operador de serviço identificou a cabine pública de onde estava a ser feita a chamada e passou a informação aos colegas da investigação criminal que apanharam o grupo em flagrante. Alguns brincalhões que ligam de números não identificados já são conhecidos pela voz e chegam a entupir a central dias inteiros ou às vezes vários dias seguidos. “Olha o brincalhão está a chegar”, exclama Carlos Gonçalves quando olha para o monitor do telefone e não vê aparecer o número de telefone de onde está a ser feita a ligação. “Emergência…”, atende o agente, mas não obtém qualquer resposta. Ricardo Marzia atende outra chamada de um emigrante que pensa estar a ligar para o 112 de França. O operador explica que está a falar para o número de emergência de Portugal e que só consegue contactar os serviços de emergência franceses quando entrar no território. O emigrante queria falar com os hospitais de França para procurar um familiar, mas o 112 não pode fazer esse trabalho. Só contactando directamente as unidades de saúde poderia obter informações. Em alguns dias a central chega a receber mais de três mil chamadas. Das poucas que são realmente emergência a maior parte é para solicitar ambulâncias ou a dar conta de acidentes. Nos dias de calor são os incêndios que dominam os alertas. Em permanência a central do 112 tem sempre dois operadores, que depois transferem as chamadas para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes tratando-se de uma emergência médica, para o Centro Distrital de Operações de Socorro, se for incêndio, ou para determinado posto da GNR se for necessária intervenção policial na área de abrangência desta força.
Noventa por cento das chamadas para o 112 são falsos alarmes

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