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Vendedores ambulantes resistem até ao limite na EN10 no Porto Alto

Vendedores ambulantes resistem até ao limite na EN10 no Porto Alto

Notificações da Direcção de Estradas para deixar o local não foram cumpridas

Dois dos vendedores ambulantes notificados para deixar o local continuam a comercializar os seus produtos hortícolas nos barracões à beira da estrada. Três roulottes de comes e bebes funcionam durante a noite para aconchegar o estômago a quem ali passa. Os comerciantes locais queixam-se de concorrência desleal.

Edição de 08.08.2007 | Sociedade
A requalificação da EN10 da zona envolvente à via rodoviária onde foi construído um separador em betão com 20 cm de altura na localidade do Porto Alto, Samora Correia, levou a que dois dos quatros vendedores ambulantes deixassem de comercializar frutas e legumes nos barracões que há décadas se encontravam naquele local. Os outros dois ignoraram as notificações da Direcção de Estradas de Santarém e permanecem no local. Durante a noite encontram-se ainda a laborar três roulottes de comes e bebes. Rafael Vieira, 60 anos, foi um dos notificados pela Direcção de Estradas para abandonar o local após a conclusão das obras de requalificação. O procedimento foi acompanhado por militares do Posto Territorial da GNR de Samora Correia. Rafael Vieira acatou a ordem e encontra-se actualmente a fazer pela vida na EN118, à entrada de Samora Correia, junto ao Pinheiro Manso. A poucos metros da faixa de rodagem, improvisou uma tenda com quatro estacas de madeira e uma rede verde para ter sombra. Vende tomates, melancias, melões, batatas e pêssegos, entre outros produtos hortícolas. Por perto encontra-se a sua carrinha Ford de cor branca. Acrescenta que perdeu muitos clientes certos, porque não tem agora um lugar fixo de venda. Os 300 euros de reforma que aufere mensalmente mal dão para as despesas do agregado familiar. Vive em Marinhais com a mulher, de 52 anos e desempregada. Tem ainda a companhia da filha e do genro, que são vendedores ambulantes na zona compreendida entre o local de residência e Benavente. O comerciante acrescenta que existiu dualidade de critérios por parte da Direcção de Estradas porque onde anteriormente vendia continuam ainda pelo menos mais dois vendedores ambulantes, além de três roulottes de comes e bebes.Augusto Frutuoso é um dos comerciantes que permanece em frente à EN10 com o separador em betão, no Porto Alto. O seu barracão situa-se em frente ao hipermercado Plus, do outro lado da estrada. Sabe que fez um mau negócio ao enveredar pelo comércio de legumes e frutas naquele local. Foi também notificado pela Direcção de Estradas de Santarém, mas aos 72 anos, os 200 euros mensais de reforma obrigam-lhe a vir todos os dias de Arruda dos Vinhos para ganhar mais uns trocos para a sobrevivência. É uma rotina que leva há cerca de 15 anos. Está consciente que mais mês menos mês terá que abandonar o local. Quando esse dia chegar não sabe o que vai ser de si.No mesmo troço, vislumbra-se uma grande barraca com estacas de ferro em frente aos armazéns da Fecomar. Caixotes de madeira e plástico acondicionam frutos e legumes da época. Baldes de tremoços e azeitonas ajudam também ao negócio. Gustavo José mostrou-se reservado nos comentários. Adiantou apenas que o seu pai recebeu a notificação para abandonar o local. Ambos os comerciantes são da opinião que a edilidade de Benavente poderia ter um papel preponderante na resolução deste problema ao providenciar um local para a venda ambulante diária de frutas e legumes na zona do Porto Alto. O presidente da Câmara Municipal de Benavente referiu em Fevereiro a O MIRANTE que os vendedores teriam que sair do local porque estavam a ocupar ilegalmente um espaço que não é destinado à venda. António Ganhão acrescenta agora que, associada à conclusão da requalificação da EN10, vai solicitar informações aos serviços camarários no sentido de ser efectuada uma intervenção conjunta com a Direcção de Estradas de Santarém. António Ganhão rejeita ainda a implementação de um posto de venda ambulante na zona da EN10 no Porto Alto. “Não é possível existirem postos de venda ambulante à beira da estrada, porque a mesma encontra-se regulamentada. Acontece que nestes casos tem persistido a venda fixa, que é perfeitamente ilegal e que contraria tanto as normas urbanísticas como as da sã concorrência comercial”, concluiu António Ganhão. A câmara tem recebido várias participações de comerciantes locais que se queixam de concorrência desleal porque são obrigados a pagar licenças, taxas e impostos e perderam clientes para os vendedores de estrada “que trabalham na clandestinidade”. “A ASAE exige-nos tudo e depois a eles basta uma barraca e uma banca para vender em qualquer lugar sem as mínimas condições”, referiu uma comerciante de Porto Alto.
Vendedores ambulantes resistem até ao limite na EN10 no Porto Alto

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