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Memórias da guerra colonial no Museu Etnográfico da Glória do Ribatejo

Edição de 29.08.2007 | Cultura e Lazer
Material recolhido ao longo de três meses junto de mais de 80 habitantes da Glória do Ribatejo resultou na exposição “Memórias da Guerra” que vai estar patente no Museu Etnográfico daquela localidade do concelho de Salvaterra de Magos até Junho de 2008. A viagem no tempo passa pela I Guerra Mundial (1914-1918), onde participaram 12 habitantes da terra, e dá grande enfoque às memórias da guerra colonial nas províncias ultramarinas de Angola, Moçambique e Guiné durante as décadas de 60 e 70 do século passado.A exposição inaugurada sábado durante as festas da localidade dá ainda a conhecer pormenores curiosos, como o facto de a Glória do Ribatejo ter tido, desde a Idade Média até à segunda metade do século XIX, o privilégio de os seus homens estarem isentos de serviço militar. Uma prática comum aos lugares onde se pretendia fixar população. Há ainda um conjunto de fotografias e material que recordam costumes ligados às "sortes" - quando os rapazes da mesma "mocidade" (ou seja, nascidos no mesmo ano) se reuniam para ir à inspecção médica em Salvaterra de Magos. "Chegados à Glória os rapazes, deitam-se foguetes e, em cortejo, percorrem a aldeia com o 'Ti Manel Ceguinho' a tocar harmónio. No braço, trazem fita vermelha os que ficam 'apurados', fita branca, os 'livres', fita azul, 'os da espera'", recorda a exposição.A guerra colonial constitui a parte mais importante da exposição, não só com imagens dos homens que partiram, mas também com manequins trajados com as fardas dos vários ramos e material como máscaras, panos africanos, aerogramas, divisas. Frisando que o objectivo da exposição não é mostrar os efeitos da guerra, nomeadamente o stress pós-traumático, o responsável pelo museu, Roberto Caneira, afirma que a associação recolheu material e testemunhos, mostrando memórias ligadas à guerra.A mulher gloriana, que durante a guerra colonial envergava roupa mais escura se o filho, marido ou namorado estava "lá fora", uma "espécie de 'pré-luto' pela ausência do homem", está igualmente retratada. Na impossibilidade de colocar na exposição as mais de 200 fotografias cedidas pelas 80 pessoas entrevistadas, a opção foi pô-las a passar em contínuo no exterior do edifício, afirmou.

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