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Munícipe chamou palhaço ao presidente da assembleia municipal

Edição de 24.10.2007 | Entrevista
Já teve um munícipe que lhe chamou palhaço numa reunião pública da assembleia. Como é que se sentiu?Senti-me ofendido e que a assembleia foi ofendida. Agi em conformidade e a assembleia colocou uma acção judicial que está a correr. Foi uma declaração grave. Nenhum munícipe tem o direito de ofender a assembleia. O senhor disse que era tudo uma palhaçada.Ainda não houve nenhum pedido de desculpas?Até ao momento não. Se houver, a assembleia tem de considerar.Na condução das reuniões, o senhor faz passar a imagem de autoritário.Não sou nada autoritário. Sou um homem que trabalha em equipa. Uma assembleia municipal tem de decorrer com a dignidade que merece e com alguma disciplina. Tenho procurado adaptar algumas regras fundamentais para o bom funcionamento dos trabalhos. O período antes da ordem do dia não pode ter duas horas e meia. Tem de haver respeito pelos eleitos e por quem assiste às reuniões. A democracia só funciona com critérios e regras.Há munícipes que esperam horas para intervir e depois saem desiludidos porque não têm respostas para os seus problemas?A solução passa por os munícipes remeterem os pedidos de informação para a assembleia com antecedência para que a câmara possa levar a resposta para a reunião. E o limite de três minutos por intervenção também penaliza os munícipes com menor poder de síntese…Temos consciência disso e já pensei em propor o alargamento para cinco minutos porque três minutos é muito pouco.O espaço de intervenção do público tem sido aproveitado por alguns movimentos que são verdadeira oposição à maioria. O que pensa do Xiradania?Todos os movimentos cívicos são bem vindos e têm o seu espaço. O que apelo é que façam intervenções com espírito construtivo e evitem os insultos e acusações infundamentadas aos eleitos da câmara. Como é que vê a figura do Provedor do Munícipe?Tudo o que seja um estímulo à participação dos cidadãos na vida pública e no governo do seu concelho é bem-vindo. Daí o grande respeito que me merece a petição da população da Póvoa de Santa Iria. Temos que estar muito atentos aos movimentos de cidadania e aos problemas das pessoas. Se não for dado seguimento às movimentações dos cidadãos, as pessoas desmobilizam e isso enfraquece a democracia.A oposição tem questionado os critérios na aprovação das grandes urbanizações com o alegado abuso da política das contrapartidas. Não é fácil gerir as pressões do poder económico?O desenvolvimento do concelho exige que se pense na política de urbanismo. Os nossos núcleos urbanos antigos estão a ficar sem pessoas, desertos. Julgo que as políticas devem ser orientadas para que os promotores olhem para as zonas consolidadas e invistam aí para criar vida nos centros urbanos. É muito mais fácil comprar um terreno vazio e edificar do que estar a reabilitar, mas não podemos continuar a criar novas urbanizações desprezando as zonas consolidadas.Mas a prática da maioria que gere o concelho é contrário ao que defende…Eu estou-lhe a dizer o que penso e o que eu faria.O senhor também tem votado favoravelmente algumas decisões que viabilizam o crescimento do betão…Sempre que há interesse nos projectos, naturalmente voto a favor das decisões propostas pela câmara.Há potencialidades desperdiçadas na frente ribeirinha?Está longe de estar esgotada a capacidade que o rio tem de influenciar o desenvolvimento em termos de transportes e de potencial turístico. O Plano Estratégico Concelhio de Vila Franca defende a logística como a grande aposta de desenvolvimento. Concorda com a transformação do concelho num grande armazém da Grande Lisboa?A logística é muito importante e o nosso concelho tem condições para criar projectos de interesse nacional que criam investimento e emprego. Mas, para mim, a grande aposta deve ser no plano tecnológico com investimento na formação profissional. Tudo o que se puder fazer para atrair investimento nesta área deve ser feito.No concelho cruzam-se várias culturas: os avieiros, a festa brava, os industriais. Vila Franca tem sabido valorizar este potencial que herdou das gerações anteriores?Julgo que tem sido feito um bom trabalho na promoção, preservação e valorização das várias culturas. A cultura está a ser valorizada, mas penso que se pode fazer mais conquistando novos públicos e ligando a cultura ao turismo.Sábado foi inaugurado o Museu do Neo-Realismo que custou quase quatro milhões de euros. É um investimento prioritário para a cidade ou haveria outras opções?O Museu do Neo-Realismo é um património interessantíssimo para Vila Franca. A minha grande dúvida é que pólos que pretendem atrair muitos públicos devem criar condições para que isso aconteça.Não concorda com a localização?O museu tem um problema que é a falta de estacionamento para os visitantes.Houve alguma precipitação na localização, tendo em conta os prazos para a aprovação da candidatura?Julgo que não houve precipitação. Pessoalmente gostaria de ver naquele local outro tipo de ocupação. Na linha do que defendo com a requalificação dos centros urbanos.

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