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“PS não respeitou 5500 munícipes que assinaram uma petição”

João Gaspar colocou a decisão de deixar a assembleia nas mãos da concelhia

O presidente da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira colocou o seu lugar à disposição do PS por causa dos conflitos internos na “guerra dos mouchões”. João Gaspar, 70 anos, o único deputado do concelho na Assembleia da República, vive momentos complicados na sua vida política e pessoal. A semana passada perdeu a imunidade parlamentar por ser arguido num processo e foi sujeito a uma rigorosa intervenção cirúrgica ao coração.

Edição de 24.10.2007 | Entrevista
Suspendeu o mandato para não participar na assembleia que debateu a petição dos mouchões. Foi um sinal de descontentamento perante alguns dos seus camaradas?Entendi que a melhor opção seria suspender o mandato para não participar na reunião porque, depois de questionar a Assembleia da República sobre o que se pretendia, sugeri uma metodologia para o decurso dos trabalhos na reunião da assembleia municipal que não foi aceite pela Comissão Política do PS. A comissão deliberou, por maioria e com a minha oposição, que não deveria haver votação sobre esta matéria. Entendi que não era possível, nesta altura, a assembleia lavar as mãos como Pilatos e resolvi suspender o mandato. Estava em causa uma petição assinada por mais de 5500 munícipes deste concelho que nos merecem todo o respeito.Vai renunciar ao cargo?Há várias pessoas no PS que pretendem ser presidentes da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira. É saudável. Eu não estou agarrado ao lugar. Quando a Comissão Política Concelhia de Vila Franca entender que há outras pessoas que podem exercer o cargo melhor que eu, o caminho está aberto. Não tenho nada contra.Admite ser o senhor a renunciar ao mandato?Quando entender que não estou a ser útil nas minhas funções fá-lo-ei com a maior lucidez. Faz sentido ser a comissão política a decidir o que os deputados municipais têm de fazer, quando há eleitos que não são militantes do PS?É uma questão pertinente. Não me choca que a comissão política prepare as reuniões e a estratégia, mas neste caso houve alguma falta de respeito ou de consideração por 5500 eleitores que assinaram a petição. Se andamos na política é para respeitar a vontade de quem nos elege e de quem representamos. Neste caso os signatários da petição não foram respeitados. Houve aqui receio das consequências políticas em cada uma das freguesias?Não devemos de ter medo de discutir as coisas. Isto não é uma questão partidária, é um problema político transversal a todas as forças partidárias. Os cidadãos têm o direito de pedir a revisão dos limites dos seus territórios e de participar nesse debate. Como é que o PS, com maioria absoluta na assembleia, na câmara e nas freguesias em causa, não conseguiu resolver este diferendo internamente?Vejo toda esta troca de argumentos entre eleitos do PS com muita tristeza. Numa situação destas é natural que os socialistas da Póvoa de Santa Iria e de Vila Franca defendessem, cada qual, os seus interesses. Mas isso não justifica esta triste troca de palavras e de acusações a que temos assistido. Faltou serenidade e espírito democrático para discutir as coisas com abertura e frontalidade.Na assembleia onde a petição foi rejeitada, faltaram três deputados do PS…Se estivessem todos, outro resultado teria acontecido. Creio que os dois eleitos faltaram porque não estava prevista a votação. A presidente da câmara, não foi demasiado discreta nesta matéria? A senhora presidente resolveu não intervir no sentido de extremar posições e teve sempre uma atitude muito discreta e apaziguadora. A assembleia é o órgão fiscalizador da câmara. Como é que eleitos do PS, a mesma força política do executivo, condicionados por esta disciplina partidária evidenciada nesta conversa, podem fiscalizar?A assembleia municipal tem uma representação com todas as forças partidárias e nunca foi rejeitada qualquer informação ou esclarecimento a nenhum eleito. A oposição tem feito o seu papel e os eleitos do PS também questionam a câmara.

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