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Rejeitado para candidato a presidente da câmara por afrontar Mário Soares

Edição de 24.10.2007 | Entrevista
É o único deputado do concelho de Vila Franca na Assembleia da República. Tem tido uma postura discreta. Tem ver com a sua forma de estar?Sou uma pessoa discreta por natureza, que nunca gostou de se pôr em bicos de pé para nada e não procuro protagonismo na vida política. Sou deputado, mas nunca escondi que comecei a minha vida profissional como mecânico de automóveis. Fez a sua formação a pulso?Estudei já adulto e procurei valorizar-me profissionalmente. Acabei a minha vida profissional como administrador de empresas e antes de ser gestor de empresas públicas fui administrador em empresas de capitais privados. Não vim ganhar experiência no sector público para aplicar no privado, foi ao contrário. Foi nomeado para várias empresas de capitais públicos. Teve ajudas do Partido Socialista e dos seus camaradas?Fui sempre convidado por pessoas que me conheciam, alguns próximos do PS, mas julgo que a minha ligação ao partido nunca influenciou esses convites.Ser deputado era um desejo antigo. Conseguiu aos 70 anos, já no final da sua carreira política?Não escondo que tive oportunidade de entrar nas listas para deputados há mais tempo e não quis porque dei prioridade à minha carreira profissional. Só depois dos 65 anos, após ter terminado a minha carreira como gestor, fui convidado para fazer parte da lista num lugar discreto e aceitei com muita honra. Já teve alguma intervenção relevante para o concelho de Vila Franca?Ainda não tive oportunidade nesse sentido. Devo confessar que na preparação do orçamento tento puxar a brasa para a nossa sardinha e apresento algumas propostas, mas não podemos perder de vista que não sou deputado do concelho de Vila Franca de Xira. Sou deputado do círculo eleitoral de Lisboa e de todo o país.Em 1983 esteve para ser candidato do PS à Câmara de Vila Franca. O que é que falhou?É verdade fui indicado pelos órgãos concelhios do PS para ser o cabeça de lista à Câmara Municipal de Vila Franca, mas não fui porque fui preterido pela direcção do PS na época porque não alinhava com a maioria do partido. Fazia parte duma facção minoritária e tive a coragem de dizer algumas coisas ao Dr. Mário Soares em público que ele não gostou. Quando o meu nome chegou ao Largo do Rato fui rejeitado e acabou por ser a D. Maria José Paixão a candidata.Não está nos seus horizontes voltar a ser candidato à câmara?É óbvio que não. Quero andar por aí e intervir civicamente, mas não quero actividade política. As pessoas têm de ter noção de que há um momento para tudo.Vê nos actuais quadros do PS de Vila Franca, algum sucessor para a presidente Maria da Luz Rosinha?Eu acho que há vários, o PS tem muita gente nova em quem deposito muita confiança e tenho muita esperança. É preciso é que o PS lhe dê oportunidades de poderem evidenciarem-se e mostrarem o que valem. Os mais velhos têm de dar espaço e oportunidades aos mais novos.É uma crítica indirecta à presidente da câmara que não deixa espaço para os seus vereadores e colaboradores mais novos?O senhor é que o está a afirmar.Estou-lhe a perguntar…O que eu digo é que é altura dos principais responsáveis do PS darem lugar os novos e espaço para poderem crescer e prepara-se para os novos desafios.

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