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“Tenho saudades dos meus alunos e de poder escrever os livros que me faltam”

Moita Flores continua a insistir na ideia de não se recandidatar a mais um mandato
Edição de 24.10.2007 | Política
O que mais o indignou nestes dois anos de mandato autárquico? Sou um homem apaixonado e, por isso, várias vezes fui atropelado pela indignação. A dívida descontrolada, a falta de respeito pelos eleitos, a desorganização, o mundanismo do poder vaidoso, a ignorância enfatuada.O que mais o surpreendeu?A capacidade de motivação dos trabalhadores da câmara. O enorme potencial humano do concelho. A rapidez com que as pessoas despertam, saindo de mundos fechados para mundos abertos.O momento mais eufórico?Ainda não tive nenhum momento de euforia. O trabalho tem sido persistente, duro, extenuante e os frutos começam agora a aparecer. Brevemente julgo que vou ter o primeiro momento de euforia. Julgo....O episódio mais triste?Confesso que já por diversas vezes as lágrimas foram mais fortes que a razão. Sobretudo quando somos confrontados com dramas humanos que aparecem intransponíveis. Dói-me a alma por não poder ajudar todos os velhotes em sofrimento que existem no concelho. Dói mesmo a sério.Quantas vezes se arrependeu de ter tomado posse?Arrependi-me todos os dias do primeiro mês de mandato. Depois começou a sossegar. Agora já não me arrependo. Sei que estamos a servir bem e ainda vamos servir melhor. Acabou o arrependimento. É tempo da determinação.Se soubesse o que sabe hoje tinha aceitado ser candidato?É uma pergunta recorrente e para a qual não é possível uma resposta. Como diz Camões, ‘este saber de experiência feito’ não é possível de avaliar sem o viver.O que lhe tira o sono? Nada. Durmo pouco mas durmo a sono solto.O que lhe dá alento?Os problemas. Não vivo de êxitos mas de desafios. Nunca dormi sobre as glórias alcançadas. Sempre acordei com mais um sonho para realizar. Santarém é o sonho de todos os dias.Um lugar do concelho ideal para namorar?O Jardim das Portas do SolUm local do concelho onde gostava de construir casa para morar?Vaqueiros. Sobre o Alviela.Era capaz de mergulhar no Tejo em campanha eleitoral?Não mergulharia em lado nenhum por causa de uma campanha eleitoral. A política não merece tanto.Qual o próximo projecto para pegar de caras?O plano estratégico para a Zona Ribeirinha e a Fundação Nacional da Pedra.O que mais lhe agradou na vereação socialista?São bons rapazes. Tenho saudades do vereador Neto. Um homem capaz.E o que menos gostou?A chicana política e a intrigalhada.O que mais lhe agradou na vereadora da CDU?A frontalidade e o rigor que procura. Somos muito iguais. Estamos ideologicamente distantes mas é um dos grandes quadros do concelho e do país.E o que menos apreciou?A visão apocalíptica que tem, por vezes, de pequenos problemas.Que erro cometeu que já não cometeria hoje?Cometi muitos erros. Ao contrário dos outros que nunca erram, sou humano, amo, sofro, choro e sinto. Não faço política por ambição e, desta forma, por vezes espalhamo-nos.Que título daria a um livro sobre estes dois anos de mandato?Misérias e grandezas do poder localSurgiram-lhe casos de polícia durante estes dois anos?Vários. O mais grave chama-se Águas do Ribatejo. Quando apresenta a sua recandidatura?Não estou a pensar recandidatar-me, além de que é cedo para pensar nisso. Tenho saudades dos meus alunos, de poder escrever os livros que me faltam escrever até que a morte me chame. Posso mudar de opinião mas terão de haver fortes razões para que acredite que outra candidatura vale a pena.

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