
Um bombeiro para todo o serviço
O que mais gosta de fazer são emergências, por saber que pode ajudar a salvar uma vida
O som da sirene dos carros de bombeiros persegue Paulo Ribeiro desde tenra idade, quando estes passavam em Atalaia onde morava. Hoje veste a farda dos Bombeiros da Barquinha e o seu sonho é integrar uma equipa do INEM.
Tinha 12 anos quando disse à mãe que queria ser bombeiro, mas a progenitora não o queria deixar envergar a farda. “Tinha medo do que me pudesse acontecer”, diz Paulo Ribeiro, bombeiro profissional nos Voluntários da Barquinha. Mas a sorte, como diz, esteve do seu lado e a oportunidade surgiu quando o seu irmão mais velho, então com 19 anos, se alistou nos bombeiros. “Como o meu irmão se inscreveu, a minha mãe não teve como me dizer que não”, diz o jovem, hoje com 27 anos.Entrou para a corporação, como cadete, um mês antes de completar 16 anos. Recorda a altura em que, ao contrário de hoje, os cadetes podiam fazer todo o tipo de serviços. Lembra-se das noites que fazia, de dez em dez dias, e de como ia ainda estremunhado para a escola. Afiança não ter sido por isso que deixou os estudos. “Foi mais porque queria ganhar algum dinheiro”. As disciplinas do 10º, 11º e 12º que deixou para trás está agora a fazê-las.Saiu da escola em 1998 e, um ano depois, entrou nos pára-quedistas, em Tancos, onde esteve sete anos e meio, antes de passar para o corpo de tropas aerotransportadas. Mas nunca deixou o voluntariado nos bombeiros. Nem mesmo quando foi em missão para o Kosovo. “Durante a missão vim duas vezes a Portugal de férias e cheguei a fazer serviço nocturno no quartel. E até consegui assistir às comemorações do aniversário”, diz com orgulho. Afiança que não foi para o Kosovo por causa do dinheiro. “É claro que sabe bem ganhar mais, mas qualquer tropa gosta de ter no currículo uma missão no estrangeiro”, refere Paulo Ribeiro. Desse tempo ficou-lhe na memória a extrema pobreza, mesmo miséria, que viu na capital Pristina. Das crianças quase tão pequenas como o seu filho, então com dois anos, a pedirem comida. “Dávamos muitas vezes o reforço que trazíamos mas tinha que ser quase às escondidas porque senão no outro dia eram dezenas deles a virem ter connosco e não tínhamos comida para todos”.O contrato militar só terminava em 2008 mas o ano passado surgiu a oportunidade de ingressar nos quadros da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha e Paulo Ribeiro não pensou duas vezes. Em Junho deixa a farda militar para passar a vestir diariamente a farda de bombeiro.“O trabalho diário de um bombeiro do quadro está vocacionado quase em exclusivo para a área da saúde”, diz Paulo, adiantando que além de acorrer a acidentes faz transporte de doentes para consultas em hospitais e unidades de saúde e tratamentos de fisioterapia. Mas quando há falta de voluntários “faz-se tudo o que é necessário”. Não são raras as vezes que é chamado para combater incêndios, talvez por ter carta de motorista de pesados.O que mais gosta de fazer são urgências. Pela adrenalina e pelo facto de saber que pode ajudar a salvar uma vida. “Esta é a verdadeira vocação do bombeiro, o resto é trabalho de motorista”. O acidente que mais o marcou foi o que aconteceu numa noite de nevoeiro, às portas de Tomar, e que vitimou vários jovens. “O cenário era quase surreal. O nevoeiro estava cerrado e o estado em que estavam os veículos e os seus ocupantes era indescritível”.Na época de Verão, quando os incêndios mais deflagram, Paulo Ribeiro costuma fazer parte dos grupos de primeira intervenção (GPI), durante a noite, depois de um dia a trabalhar no quartel. “Bombeiro não tem horário”, diz com um sorriso nos lábios. Já lhe aconteceu estar a jantar e receber um telefonema para ir fazer um serviço. E de ouvir a sirene a tocar minutos depois de ter acabado de tirar a farda e sentar-se no sofá.O filho, Diogo, já segue as peugadas do pai. “Ele só gosta de estar aqui no quartel e quando fizer seis anos, se quiser entrar para os infantes, eu não me oponho, até vou gostar”, diz quem tem um sonho – fazer parte de uma equipa do INEM.

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