uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
Obra das Mães de Alhandra é apoio de muitas famílias carenciadas

Obra das Mães de Alhandra é apoio de muitas famílias carenciadas

Sonho da instituição é ter cozinha para oferecer refeições ao fim de semana

Grávidas, mães solteiras e famílias carenciadas têm na obra das mães de Alhandra o conforto que a vida não lhes proporcionou.

Uma das gémeas vai confortavelmente deitada no carrinho de bebé. A outra segue no colo da mãe que ainda encontra mãos para segurar sacos de roupas. Têm sido assim as últimas semanas da vida de Susana Monteiro, uma jovem mãe de duas gémeas, 21 anos, que viu a sua vida mudar radicalmente quando descobriu que estava grávida. Para subsistir diariamente vale-lhe a ajuda da Obra das Mães de Alhandra que a apoiam com leite para as bebés, mantimentos, roupas e até mobiliário. “O carrinho para as gémeas está quase a chegar. Não o trouxemos porque não tinham em armazém”, diz Ilda Moreira, a “mãe” da obra de Alhandra, durante a festa de natal que decorreu no espaço da Sociedade Euterpe Alhandrense, sábado, 22 de Dezembro, porque as instalações onde trabalham as voluntárias são pequenas e não têm ainda cozinha para preparar a refeição que as voluntárias quiseram oferecer às famílias neste dia.A mãe das gémeas, de quatro meses, estudava no 12 º ano, na área de acção social quando a vida tomou outro caminho. Inicialmente escondeu a gravidez, mas acabou por contar à família e a mãe não reagiu bem à notícia. Saiu de casa e vive com o namorado e pai das filhas num apartamento alugado em Alhandra. Parte da mobília das gémeas, que ainda dormem no quarto dos pais, foi arranjada com a ajuda da Obra das Mães. Susana Monteiro já começou a procurar um sítio para deixar as meninas e arranjar trabalho. Inscreveu-se para trabalhar como recepcionista na Estação do Oriente e em breve espera conseguir começar a equilibrar o orçamento familiar com o seu ordenado. Os projectos de vida de Estela Matos, 27 anos, mãe de três filhos, residente em Alverca, não são tão animadores. Pelo menos por enquanto. A jovem que trabalha nas limpezas sofreu há pouco tempo um acidente vascular cerebral que a tem impedido de trabalhar. “Tinha um sopro no coração e não sabia”, justifica. Aproveita o intervalo do almoço da obra das mães para amamentar o filho mais novo que ainda não completou um mês. Os dois filhos mais velhos ajudam, tal como o marido, mas a boa vontade não chega para alimentar cinco bocas apenas com o ordenado de um pintor. Elizabete Amor, 31 anos, não pode contar tão pouco com a ajuda de um marido. Nem sequer de um pai. A sua filha de um ano recebeu o nome do cunhado. A mãe solteira de Alhandra tem na obra das voluntárias da terra um dos grandes suportes da sua vida. Tal como a casa da mãe onde vive com Juliana. Está desempregada porque a instituição de solidariedade social onde estava quando engravidou não lhe renovou o contrato. Já trabalhou com idosos e foi funcionária numa loja de sapatos, mas o patrão ficou a dever-lhe dinheiro e fugiu. Elizabete ainda não desistiu de atingir a independência. Quer completar o nono ano e frequentar um curso de geriatria em Alverca. Para dar outro rumo à sua vida e abandonar o ciclo de dependência social.
Obra das Mães de Alhandra é apoio de muitas famílias carenciadas

Mais Notícias

    A carregar...