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A Adega do Zeca e os princípios do Vereador

Edição de 17.01.2008 | Opinião
Um dia destes entrei num café e casa de petiscos da Ribeira de Santarém. Depois de estar lá dentro a tomar a bica reparei que estava no local onde a minha vida ganhou um certo rumo. Há mais de 20 anos caminhei para ali ao fim da noite, um dia por semana, durante mais de dois anos, para acompanhar no petisco um ourives que me fazia os consertos no próprio dia e que tinha oficina montada numa velha casa da Ribeira. Depois de um dia de trabalho e de fechar a porta da ourivesaria, na Chamusca, vinha a correr para a Ribeira e passava horas e horas a seu lado, na oficina mas também no petisco, sempre na esperança de trazer na mala os consertos de ouro e prata que os clientes deveriam ir levantar no dia seguinte ao balcão da minha loja.De tal forma levei a sério este método de trabalho que, de tanto ver trabalhar, aprendi a arte de ourives. Até que um dia, já muito depois de só aparecer à noite na Ribeira de Santarém com os trabalhos mais difíceis, o ourives descobriu-me a careca e pôs-me na rua dizendo que se eu já tinha arte para consertar o que era fácil que procurasse aprender a resolver também os problemas dos consertos mais difíceis.Entretanto mudei de ofício e há muitos anos que não me sento à banca de ourives. Hoje devo ser tão bom a soldar como era, já na altura, a beber e a comer na Adega do Zeca. Aquilo fazia parte do meu trabalho e só muito raramente juntava o útil ao agradável. Sempre tive mau vinho e só com o cheiro ficava (e ainda fico) com a cabeça à roda.Ter entrado na Adega do Zeca e não ter reconhecido o lugar deixou-me um sabor amargo na boca e uma tristeza na alma. Devia ser mais fiel às minhas memórias de ofício. Um jornalista da Redacção de O MIRANTE pediu ao vereador do Partido Socialista na Câmara de Santarém, Rui Barreiro, uma entrevista para fazer o balanço destes dois anos de oposição a Moita Flores. O ex-presidente da câmara e agora vereador recusou desculpando-se com questões de princípio porque, disse ele, tem processos em tribunal contra O MIRANTE.Foi à Redacção deste jornal que Rui Barreiro, durante a sua presidência, só respondia por escrito. Foi a este jornal que Rui Barreiro cortou a publicidade. Foi a O MIRANTE que Rui Barreiro boicotou a informação. Foi aos profissionais desta casa, a todos, sem excepção, que Rui Barreiro tentou complicar a vida não pagando as dívidas durante quatro anos (algumas só recebemos ainda mais tarde depois de ganharmos os processos em tribunal). Agora que lhe queremos dar voz Rui Barreiro desculpa-se com questões de principio.  A Direcção Nacional do Partido Socialista devia pagar aulas de ética a alguns dos seus militantes. E aos que não passassem no exame final deveria reformá-los. Para que o povo não sinta vergonha dos políticos que vai elegendo. JAE

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