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Dente no nariz

Helder Fráguas*
Edição de 17.01.2008 | Opinião
É quase sempre aborrecido perder um dente.Por se encontrar em más condições, por questões relacionadas com as gengivas ou devido a acidente, pode surgir a privação de uma peça dentária.Imagino que ninguém se importe de extrair um dente quando o mesmo se encontra no nariz.A um amigo do meu sobrinho sucedeu-lhe tal ocorrência insólita. No interior da fossa nasal, lá estava uma peça dentária firmemente fixada. De modo que, para o jovem, até deve ter sido um alívio ver-se livre daquele dente surgido num local onde não faz falta nenhuma.Quando devidamente inseridos na boca, os dentes são particularmente úteis.No caso de um crime, a perda de dentes é especialmente valorizada em termos de indemnização.Aqui há uns anos, num conhecido café de Tomar, deu-se uma tragédia tão grande que o mal menor ainda foi um jovem ter perdido um dos seus dentes.Um pequeno industrial de cerâmica não andava bem. O homem vivia em Alcobaça, com uma senhora. Os dois tinham um filhinho pequeno.O caso terminou mesmo mal. O menino ficou órfão de mãe, já que a sua progenitora foi barbaramente assassinada. O pai da criança foi para a cadeia, cumprir pena pelo homicídio da senhora.Ora este indivíduo era dado a saídas nocturnas e gastava muito dinheiro em bares.A senhora fartou-se da vida que o companheiro levava.Ela tinha uma prima, que vivia em Tomar. Esta familiar era proprietária de um lar de terceira idade. De modo que proporcionou trabalho e alojamento à parente, que pretendia deixar aquele homem.Mas o indivíduo passou a ir a Tomar, com enorme frequência, tentando convencê-la a regressar a casa.Como a senhora recusava, ele decidiu matá-la.Era hábito ela ir com duas colegas a um café, que se situava mesmo junto ao local de trabalho.O criminoso fez uma espera. Após as duas mulheres entrarem no café, ele também se deslocou para o seu interior. Levava uma caçadeira de canos serrados, tapada por um lençol.Agarrou a sua companheira pelos cabelos e arrastou-a, em direcção à porta do estabelecimento. Um dos clientes quis logo pôr termo à agressão.O atacante sacou da arma e fez um disparo. A munição embateu na torre de cerveja à pressão. Ao fazerem ricochete, os chumbos vieram a atingir um jovem, filho da dona do café. Não só ele perdeu um dente, como sofreu outros ferimentos significativos.O homicida sentiu-se, então, mais à vontade para arrastar a mulher, pelos cabelos.Fez mais uma série de disparos. Matou a sua antiga companheira. Além disso, ainda tirou a vida ao tal cliente que quis protegê-la.* Juiz (hjfraguas@hotmail.com)

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