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“A primeira vez que me mascarei foi de toureiro”

“A primeira vez que me mascarei foi de toureiro”

Fernando Pereira anima Carnaval Samora
Edição de 31.01.2008 | Entrevista
O cantor com 25 anos de carreira imitou algumas das melhores vozes do mundo, mas a que lhe dá mais prazer é o original Fernando Pereira. Nesta entrevista o homem da voz de ouro revela que gosta de ver pegar os toiros e já teve alguns amores no Ribatejo. Fernando Pereira é o convidado de honra nos corsos do Carnaval de Samora. Porque é que aceitou este convite?Em primeiro lugar porque tenho, desde sempre, uma grande simpatia pelas gentes e a cultura ribatejana. Depois, o Carnaval e todo o ambiente de folia que o caracteriza são sempre também um grande atractivo e eu, em 25 anos de carreira, nunca me tinha prestado a uma festa destas e a participar assim, como convidado, num desfile. Alguma vez havia de ser a primeira! Por isso aceitei vir este ano a Samora Correia.Vai estar bem acompanhado?Venho acompanhado de duas mulheres lindíssimas, a Luma e a Sandra, que habitualmente fazem parte do meu espectáculo. Vou passar com elas e com este pessoal fantástico, duas tardes de Carnaval bem divertidas.Tem alguma relação de proximidade com a região ribatejana?A minha família é toda do Alentejo, eu nasci em Lisboa e os ribatejanos são assim como que os nossos “vizinhos do lado”. Tenho muitos amigos nesta região e já aqui conheci alguns grandes amores também. O Ribatejo tem gente muito bonita, uma gastronomia verdadeiramente irresistível e uma cultura muito peculiar.É aficionado da festa dos toiros ou não gosta de touradas?Sou um aficionado incondicional dos grupos de forcados e das pegas! São sem dúvida um verdadeiro espectáculo dentro do espectáculo e um extraordinário exemplo de amizade sã, de coragem e de camaradagem. Mas não posso dizer, em boa verdade, que sou um aficionado das touradas. Gosto do espectáculo, aprecio toda a arte e a tradição, sobretudo no toureio a cavalo, que é lindíssimo, mas considero que a tourada tem mais tarde ou mais cedo que evoluir, como tudo na vida.Choca-lhe o sofrimento do toiro?Choca-me. Um dia, tal como em muitas festas e tradições, desde o circo de Roma até hoje, a tourada vai acabar por dispensar os ferros, as bandarilhas e o sangue, dando lugar a uma nova forma de espectáculo mais de acordo com as vivências e os valores culturais deste século.Já assistiu a algum desfile no Brasil?Já fui várias vezes ao Brasil, mas nunca na época do Carnaval. Quando lá vou tento conciliar o lazer e as férias com o trabalho. Toda a gente sabe que durante o Carnaval ninguém trabalha no Brasil. Até parecia mal eu ser o único! Gosta de brincar ao Carnaval?A minha vida profissional parece-se muito, em alguns aspectos, com o Carnaval. Tenho habitualmente que me “mascarar” física ou vocalmente, para caricaturar muitas figuras e personagens. Gosto bastante da vida que tenho e acho que é muito bom brincar ao Carnaval.Em miúdo costumava mascarar-se. Qual foi a máscara ou disfarce que mais o marcou?Curiosamente, a primeira vez que me mascarei a sério foi de toureiro. Com capa, espada, montera e tudo! Foi lindo. Mas em miúdo andei mascarado várias vezes. Já fui Zorro, John Wayne, Batman, eu sei lá…Costuma fazer partidas de Carnaval aos amigos?De vez em quando brinco e surpreendo os meus amigos, mas não necessariamente no Carnaval. Qualquer altura serve para uma boa partida. O importante é tentar levar a vida sempre com alegria e boa disposição.E já alguma fez foi vítima duma partida de Carnaval mais desagradável?Já e não achei piada. Não me importo de ser vítima de quaisquer partidas se elas forem divertidas e engraçadas. Mas quando são desagradáveis, quando magoam, sujam ou molham as pessoas, fico completamente passado. Acho que ninguém tem o direito de prejudicar os outros para se divertir. Eu não o faço e não admito que me façam a mim. Para tudo é preciso ter alguma inteligência e bom senso.Como é que vai ser a sua tournée em 2008?Penso que vai ser mais ou menos como a de 2006 e 2007. Temos andado um pouco pelo mundo, Espanha, Itália, Eslovénia, Estados Unidos, Canadá, Angola. Em Portugal realizámos também dezenas de espectáculos. Tivemos dezenas de milhares de pessoas em vários pontos do país, incluindo Santarém. Penso que 2008 vai ser também sempre a abrir…Projectos mais relevantes a curto e médio prazo?Estou a celebrar os meus 25 anos de carreira até ao fim do ano. Preparam-se por essa razão novos discos, DVD’s e uma biografia, a sair oportunamente ao longo de 2008. Para além disso, montei um espectáculo especial que pretende enquadrar-se nessa efeméride. Se por um lado é um show que revive os melhores momentos, temas e vozes de 25 anos, apresenta por outro muito mais surpresas e novidades. É um espectáculo bastante mais virado para o futuro e para os dias de hoje do que para o passado. Uma produção absolutamente irrepreensível do ponto de vista artístico, técnico e musical. Mas melhor do que eu estar para aqui com este paleio de vendedor é as pessoas verem para crerem… Quem sabe, sabe e mostra ao vivo. E olhem que eu nunca os enganei! Vai apostar mais no mercado nacional?Sim, sem dúvida. A celebração dos meus 25 anos de carreira é algo para se viver muito mais aqui “em casa”… Os americanos, os italianos ou os eslovenos, estão-se nas tintas para os anos que eu tenho de carreira. Nem sabem sequer o que é isso de ser alentejano, lisboeta ou ribatejano. Para eles, eu sou Fernando, “the Singer of Voices”, o cantor de todos os cantores e isso é tudo o que lhes interessa. Este meu espectáculo de carreira é sobretudo para os portugueses e para percorrer Portugal.Sendo uma das vozes mais notáveis de Portugal porque é que não tem mais visibilidade?Com vozes notáveis ou não, os cantores e músicos portugueses não têm mais visibilidade porque as pessoas nos horários nobres da televisão só levam com novelas, concursos e “reality shows”. Não é um problema meu, é uma questão nacional.Como se pode mudar o cenário?Quem pode mudar essa situação, essa mentalidade obtusa e interesseira das estações de televisão são as pessoas, os espectadores, o público consumidor. Se as pessoas protestarem e escreverem para as televisões, sistematicamente, a pedir programas musicais, a exigir verem também os cantores, os músicos, os artistas do seu país e a que têm direito, talvez eles acabem por lhes dar. Caso contrário irão levar sempre com as novelazinhas, os “big brothers” e os enlatados do costume, até enfartarem! Mas, justiça seja feita, eu até não me posso queixar muito pois fui talvez o cantor português que mais programas especiais fez para a RTP.Como é que vê as “vedetas” feitas em poucos meses?Vejo-as a desaparecer também em poucos meses. Só os que têm realmente talento vão permanecer muitos anos. Mas é a vida…Qual foi a imitação que lhe deu mais prazer fazer?Protagonizar em voz, corpo e alma, o António Variações no Casino Estoril, numa produção monumental do Júlio César. Chamou-se “Variações, António”, tinha um elenco de 70 artistas e bailarinas e esteve em cena durante um ano. Lembro-me que emagreci quase dez quilos para compor a figura, para além de usar também olhos azuis, com cabelos e barbas ruivas. Foi um momento alto e uma experiência artística extraordinária.Quem é que gostaria de imitar?Quem eu gosto sempre mais de imitar é o Fernando Pereira! Curiosamente, ele é mesmo muitas vozes numa só, daí dar-me sempre esta enorme trabalheira. Mas é a minha vida…
“A primeira vez que me mascarei foi de toureiro”

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