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“O neurocirurgião tem de ser um artista para ser bem sucedido”

“O neurocirurgião tem de ser um artista para ser bem sucedido”

Vara Luís defende que hospitais públicos são melhores que os privados

O médico que praticou judo em Vila Franca de Xira está entre os melhores neurocirurgiões do mundo e continua a viajar para aprender as novas técnicas para operar a cabeça e a coluna.

Edição de 20.03.2008 | Sociedade
Carlos Vara Luís neurocirurgião do Hospital de São José e professor universitário garante que erros médicos em Portugal são mínimos e elogia os especialistas nacionais. “Temos dos melhores cirurgiões do mundo em várias especialidades. Porque a cirurgia é uma arte e há sempre alguns que se distinguem ”, frisou num debate subordinado ao tema “Pensar o Cérebro” que decorreu no sábado à tarde em Samora Correia, Benavente.Vara Luís, um dos mais conceituados dos 140 neurocirurgiões portugueses, defendeu que os hospitais públicos são mais seguros que os privados. “Se tiverem que optar escolham um hospital público porque têm mais garantias de serem bem sucedidos”, referiu. “O problema é o acesso aos hospitais públicos. Tenho doentes que esperam anos por uma operação”, adiantou.O médico trabalha com alguns dos melhores neurocirurgiões do mundo e faz milhares de quilómetros todos os meses para aprender e aperfeiçoar as técnicas. “Um bom médico deve partilhar os conhecimentos, deve ensinar, não se pode fechar. Eu gosto de aprender, mas também gosto muito de ensinar”, referiu.Pelas mãos deste transmontano que cresceu e praticou judo em Vila Franca de Xira, já passaram centenas de estudantes e jovens neurocirurgiões e milhares de doentes. Alguns com situações limite que nem sempre tiveram o melhor desfecho, mas a maioria são casos de sucesso a quem o médico devolveu a vida que parecia perdida. O neurocirurgião trabalha numa unidade que recebe diariamente vítimas de acidentes graves com traumatismos a nível do crânio e das vértebras e que necessitam de intervenções imediatas para sobreviverem. O risco faz parte do seu quotidiano e quem o conhece garante que “sofre muito” quando não consegue salvar uma vida. Vara Luís, que tem consultório em Samora Correia há 22 anos, foi o protagonista do debate inserido na Semana Internacional do Cérebro organizada pela Sociedade Portuguesa das Neurociências em parceria com a junta de freguesia local. A influência de várias doenças e comportamentos nas doenças do cérebro e da mente foi abordada pelo médico de saúde familiar Silva Guerra que aproveitou a sessão para “puxar as orelhas” a vários doentes que acompanha há vários anos. “Façam exercício, andem a pé, emagreçam e cuidem a dieta”, disse referindo-se à prevenção da diabetes, colesterol, obesidade e das consequentes doenças vasculares cerebrais que matam 500 pessoas por mês em Portugal. “Imaginem um avião a cair todos os meses”, adiantou. O cavaleiro tauromáquico José João Zoio, que foi afastado das arenas devido a uma queda que deixou lesões graves na cervical, abordou a perspectiva de quem interrompeu uma carreira de sucesso e teve de se habituar a lidar com as sequelas do acidente.O debate foi moderado pelo cientista Edgar Cruz e Silva investigador do cérebro na área do molecular e um dos mentores da iniciativa.Portugal é dos paísescom menos erros médicosUm dos temas mais vincados foi o erro médico que tem tirado a vida a centenas de pessoas, Vara Luís desvalorizou os números e garantiu que Portugal é dos países onde existem menos erros médicos. “Não podemos confundir erro médico com negligência que é um crime. Um erro médico é quando tentamos fazer tudo bem e alguma coisa corre mal. Se eu cometer um erro médico deliberadamente sou um assassino à solta e não posso operar”, afirmou na resposta a uma questão colocada por um magistrado do Ministério Público. Antes do debate, Vara Luís apresentou uma exposição detalhada da evolução da neurocirurgia e deixou uma esperança para quem tem problemas graves no cérebro. O cirurgião “especialista a lidar com a cabeça” mostrou algumas das técnicas mais avançadas de remoção de tumores e apresentou o último modelo de um bloco operatório optimizado. A “Brainsuite” custa um milhão de contos (cinco milhões de euros) e só existem quatro no mundo, mas um dia há-de chegar a Portugal.
“O neurocirurgião tem de ser um artista para ser bem sucedido”

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