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Recuperar rolhas de cortiça para plantar um milhão de árvores

Recuperar rolhas de cortiça para plantar um milhão de árvores

Recolha da Quercus começa em Abril junto de restaurantes
Edição de 27.03.2008 | Economia
A Quercus pretende recolher 30 por cento das rolhas de cortiça comercializadas anualmente em Portugal e aplicar o dinheiro resultante da reciclagem na plantação de um milhão de árvores nos próximos cinco anos.O presidente da associação ambientalista explicou à agência Lusa que a recolha das rolhas de cortiça vai começar a ser feita em Abril em restaurantes, estendendo-se a partir de Junho a escolas e aos hipermercados Continente, onde serão colocados depósitos para colocação das rolhas. Desta forma, a associação ambientalista pretende recolher 30 por cento dos 300 milhões de rolhas que todos os anos são introduzidas no mercado em Portugal.Depois de recolhidas, as rolhas são trituradas e aproveitadas para o fabrico de outros produtos industriais, como isolamentos, juntas de dilatação, pavimentos ou revestimentos. “Os dividendos financeiros resultantes da reciclagem serão reinvestidos na plantação de árvores e na gestão de habitats e espécies”, acrescentou Hélder Spínola.A plantação de sobreiros e a gestão de montados de sobro já existentes é considerada prioritária, uma vez que o uso das rolhas de cortiça promove a existência destes ecossistemas, considerados dos mais ricos em biodiversidade na Europa. Nos próximos cinco anos, a Quercus pretende plantar um milhão de árvores, criar 100 novas reservas biológicas e restaurar 10 quilómetros de rios e ribeiras.A corticeira Amorim associou-se a este projecto, sublinhando que se trata do “primeiro programa de reciclagem que permite financiar a conservação e recuperação da natureza, utilizando exclusivamente árvores que constituem a floresta autóctone portuguesa”.O presidente da corticeira, António Amorim, lembrou à Lusa que as rolhas de cortiça são um produto reciclável “com aplicação a nível industrial” e mostrou vontade em estender este projecto a outros países.“A Quercus e o Modelo Continente fazem a campanha de sensibilização e de recolha das rolhas. A Amorim paga por essas rolhas, que vai utilizar como matéria-prima nos seus fins industriais e a Quercus e a Modelo Continente utilizam esse dinheiro para a plantação de sobreiros”, resumiu o responsável.Para a Amorim, a rolha de cortiça é “o produto base que deverá continuar a garantir a manutenção do montado de sobro”, um ecossistema que se estima que absorva por ano em Portugal 4,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o que representa cinco por cento das emissões totais do país.O projecto de recolha e reciclagem de rolhas promovido pela Quercus insere-se numa iniciativa mais ampla, o “Condomínio da Terra”, que encara o Planeta como uma casa comum, onde os bens devem ser geridos em conjunto. Para isso, estão a ser criadas em Portugal micro-reservas onde os ambientalistas compram espaços ou estabelecem contratos com proprietários de algumas zonas para a conservação das espécies e recuperação dos habitats, estando as salinas e as dunas já referenciadas como prioritárias.
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