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Santarém no seu melhor

Edição de 27.03.2008 | Opinião
No dia de S. José, feriado municipal em Santarém, a senhora Câmara promoveu o lançamento do livro do Foral de Santarém que foi mandado publicar por D. Manuel em 1506. A autarquia convidou a Professora e Historiadora Maria Helena da Cruz Coelho para o estudar e apresentar à luz dos nossos tempos. É uma obra publicada em edição de luxo, que se espera que a câmara um dia destes publique em edição de bolso, agora que o trabalho está facilitado. O povo mais pobre merece esse desvelo da câmara já que a edição actual vai ficar longe dos nossos olhos e das nossas carteiras pelas razões óbvias que são a tiragem reduzida e o alto preço. Uma nota importante para o seguinte facto. O Salão Nobre da Biblioteca de Santarém estava cheio de gente ilustre da Universidade de Coimbra, como era o caso da Vice Reitora da Universidade do Porto, da Fundação Eugénio de Almeida, da Academia Portuguesa de História, tudo ao mais alto nível, entre muitas outras figuras da vida universitária e intelectual que encheram a sala. Não fossem eles e os escalabitamos mais ou menos ilustres nem vê-los. Meia dúzia deles e já eram muitos se fossem contados um a um. Sabe o leitor quem apresentou a autora e o livro ?: o Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, figura maior das letras portuguesas, autor da História de Portugal, obra grandiosa e por onde vão estudar os meninos e os homens dos próximos séculos, reconhecido e importante nome da vida cultural portuguesa, nome ignorado na comunicação social e nos grandes programas de entrevista das televisões e afins, porque é uma pessoa humilde e recatada, como aliás é próprio dos grandes homens, já que o valor intelectual de Joaquim Veríssimo Serrão está directamente ligado à sua modéstia como pessoa. Há pouco anos atrás, com Noras ou Barreiro no poder, a sala estaria a abarrotar de gente da Corte, de ontem, que adora a sua terra e os seus filhos mais dilectos e que acharia que a publicação do Foral de Santarém era o caminho directo para a valorização do conhecimento sobre a cidade e as suas gentes e o importante património escalabitano. Hoje, como o Poder mudou deixaram de aparecer como apareciam: grandes e devotados amantes de Santarém, os maiores e devotados amigos das grandes figuras da terra como é o caso do Historiador Joaquim Veríssimo Serrão.Por causa da política manda-se a cultura ás ortigas. Por causa da política e da cor política de cada um, as iniciativas só têm a importância que cada um lhes quer dar.Deixo este último dado curioso para se perceber a dimensão do caso e porque resolvi trocar a leitura de um livro, ou um passeio pelo campo, para escrever este texto numa manhã de sexta-feira santa. O trabalho agora publicado foi encomendado pela outra câmara, aquela de má nome e de má fama que deixou muita calotice por aí a somar a outras calotices já antigas. Chegado ao Poder e confrontado com a encomenda, nomeadamente pela autora que teve receio de continuar a trabalhar para o boneco, Francisco Moita Flores foi igual a si próprio e, percebendo o valor do trabalho encomendado, mandou que a política não interviesse naquilo que são os interesses culturais do concelho e as boas decisões já tomadas. Tudo isto foi dito por outras palavras pela autora do trabalho, que fez um discurso à altura, mostrando também na sua intervenção as boas razões que levaram à sua escolha.Vai longo o Comentário. Mas não podia deixar perder mais esta excelente oportunidade para falar de Santarém no seu melhor.  JAE

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