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No centro histórico no trigésimo quinto andar

Edição de 10.04.2008 | Opinião
Há duas horas que me sentei num jardim no centro de uma grande cidade que fervilha de gente. Estou no meio de velhos que jogam cartas, casais que se divertem com os filhos, namorados que se beijam nas mãos e na boca, mulheres que vão e vêm em passo de corrida com as mãos no peito como a quererem segurar as mamas que parecem saltar para fora do peito, homens em camisa que parece que não caminham, voam com hélices nos sapatos em vez de simples biqueiras de sola ou de borracha.Tenho um portátil no colo e acabo de ler na edição diária de O MIRANTE online que a cidade de Santarém fica deserta a partir do fim da tarde. Nada que não saiba e não vivencie há mais de uma dúzia de anos quase diariamente. Com os anos a coisa tem piorado. Alguns comerciantes bem o merecem. Outros, a grande maioria, merecia melhor sorte. Está provado que a salvação para o centro histórico depende das medidas sociais e económicas para todo o concelho. Sem uma política de investimento para o concelho de Santarém nada salvará o centro histórico. Moita Flores já disse o mesmo por outras palavras. Espera-se que pelo menos ainda neste mandato se vejam mudanças que tenham efeitos práticos a médio prazo. Esta noite dormi num quarto situado no trigésimo quinto andar e quando acordei ouvi bater as cinco da manhã na torre da igreja matriz da minha terra. Muito mais eficiente e útil que a internet para nos manter ligados à terra é esta memória afectiva que não nos permite esquecer o lugar de onde partimos e aonde devemos regressar.“Só por momentos a vida suporta a divina abundância. Depois a vida é sonhá-los”.Do livro que li hoje no jardim retiro esta frase e aproveito para descansar os olhos. Acabei de receber uma mensagem por tmv que me põe a discutir do outro lado do mar um assunto sem importância que bem podia passar ao lado.Tomo consciência de quanto céu tenho sobre a minha cabeça e procuro desvalorizar oassunto: “quem com os céus conversa não pode temer os relâmpagos”.Há muita gente que só faz o que gosta e ainda lhe pagam para isso. Eu era um desses se pudesse entregar a terceiros um certo trabalho que ninguém faz bem se não tiver uma cara feia como eu tenho a minha.

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