
Uma amante de literatura que tira férias para escrever
Concurso promovido pelo município de Azambuja revela talentos escondidos
Tira férias para escrever. Às vezes longe do marido. Tem 35 anos e é funcionária de uma empresa de transportes. Maria João Veríssimo ganhou o prémio literário do município de Azambuja na categoria de conto.
Escondida no canto da sala Maria João Veríssimo observa a entrega de prémios do primeiro concurso literário do concelho de Azambuja. O ar tímido esconde uma personalidade forte. Maria João tem 35 anos e conquistou o primeiro lugar no género de conto. A entrega dos prémio, organizada pelo departamento de intervenção sócio-cultural da Câmara Municipal de Azambuja, decorreu quarta-feira, 23 de Abril, no auditório da biblioteca municipal.A paixão começou muito cedo. Aos oito anos escrevia espontaneamente. As professoras começaram a ter contacto com os trabalhos e incentivaram-na a participar em concursos literários promovidos pelas escolas. À medida que foi vencendo aumentava a vontade de escrever.Maria João é funcionária numa empresa de transportes em Lisboa. Diz que se pudesse vivia apenas da escrita. Ainda tem esse sonho embora tenha consciên-cia que será muito difícil alcançá-lo. Porque é complicado viver da escrita em Portugal. A jovem natural de Azambuja já escreveu um romance que não está editado e dois livros de poesia. Actualmente, está a escrever um romance para um concurso literário que vai decorrer em Junho. “Ando a trabalhar nele há cerca de dois anos e que ainda só escrevia 80 páginas. Tenho trabalhar bem este mês”, afirma.Maria João tem uma vida igual à de um escritor. Considera o trabalho em Lisboa um hobbie. Não está tanto tempo com os amigos como gostaria. Mas é por uma boa causa. A paixão e a necessidade de escrever falam mais alto. Aproveita todos os momentos para escrever. À noite, ao fim-de-semana. Sempre a ouvir música. Maria João tira férias com o objectivo de escrever. Às vezes longe do marido.“Vou sempre para um local onde sei que posso estar sozinha. Levanto-me, tomo o pequeno-almoço, compro e leio o jornal e escrevo até às três da tarde. Faço uma pausa e volto a escrever. Ao contrário do que possa parecer isto não é nenhuma tortura. Adoro estar no meu mundo a fantasiar com as personagens”, explica.A escritora conta que basta observar as pessoas na rua, um simples gesto ou uma conversa ouvida no comboio para a inspiração actuar. “O meu primeiro romance começou depois de olhar uma pessoa que conheci no estrangeiro. O seu olhar pareceu-me tão triste que desenvolvi uma história à volta dessa pessoa”.Chega a ler cinco livros simultaneamente. Tem na cabeceira um texto de Rosa Lobato Faria de quem ficou fã. “É extraordinária. Pena que ainda não a tenham descoberto verdadeiramente”, afirma. A jovem escreveu sob o pseudónimo António Aglaia. E explica porquê. “António em homenagem ao meu avô e Aglaia significa musa. Achei que um pseudónimo deveria ter algo relacionado com o irreal”.

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