
Governo lança concurso para construção da barragem de Almourol
Cota prevista reduzida substancialmente mas mesmo assim submerge açude insuflável de Abrantes
O Governo lançou, dia 30 de Abril, o terceiro concurso público para a construção das barragens de Almourol, Alvito e Fridão, concluindo os procedimentos que dão início ao processo que culminará com a concretização das 10 barragens incluídas no Plano Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico. O presidente da Câmara de Abrantes, Nelson Carvalho (PS), considera que o Governo acautelou os impactos da barragem de Almourol no concelho ao reduzir a cota de 31 para 24 metros, mas o seu colega autarca de Constância, António Mendes (CDU), duvida do interesse privado pelo projecto.Nelson Carvalho disse à agência Lusa que os técnicos terão ainda de “verificar o que será o plano de água” à cota agora proposta, mas realçou o facto de o projecto posto a concurso “acautelar” os impactos negativos para os quais a autarquia e a população haviam alertado o Governo.Contudo, para o presidente da Câmara Municipal de Constância, à cota 24, a barragem do Almourol “não irá avançar” por não ter interesse para eventuais investidores privados. “Com toda a reserva, porque não disponho de todos os elementos, seria mais verdadeiro assumir o fracasso da localização no Tejo e encontrar uma alternativa”, disse, considerando que esta foi “uma maneira airosa de o Governo não dizer que não punha esta barragem a concurso, sob pena de abrir um precedente”.Para António Mendes, a redução da cota em sete metros representa uma redução de 30 por cento da produção de energia inicialmente prevista (de 208 gigawatts), o que retira o interesse económico do projecto para eventuais investidores. “Andamos a entreter e a perder tempo”, disse. Para Nelson Carvalho, a proposta posta a concurso responde ao conjunto de preocupações colocadas pelos órgãos autárquicos e pela população do concelho junto do presidente do Instituto da Água, que lidera o processo, e do ministro da tutela (Ambiente).Admitindo que, aberto o concurso, caberá aos privados analisarem a localização exacta e a viabilidade económica do investimento, o autarca de Abrantes afirmou que, à primeira vista, não há objecções por parte do seu município. Nelson Carvalho disse esperar ver contemplado no caderno de encargos, como prometido, o valor de indemnização devido ao município pela eliminação do açude insuflável, um investimento municipal de 10 milhões de euros que se tornará supérfluo com o plano de água que será criado pela barragem.O plano de água criado pela autarquia insere-se no programa de reabilitação das margens do Tejo junto à cidade, o Aquapolis, cujo concurso de infra-estruturação da margem Sul tem estado suspenso, à espera de uma definição em relação à barragem.

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