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O Sacerdote proscrito que ajuda a tirar o Diabo do corpo

Humberto Gama diz que a Igreja Católica está desactualizada e não acredita naquilo que faz

Diz que não é bruxo, vidente ou charlatão, mas apenas exorcista. Ajuda a retirar as energias negativas que incorporam nas pessoas. Foi acusado de usar métodos pouco ortodoxos que valeram queixa por abuso sexual há um par de anos. A sua vida, diz, dava um filme vinte vezes melhor que o célebre “O Exorcista”. Cada um que ajuíze por si.

Edição de 26.06.2008 | Entrevista
Há quem lhe chame charlatão. Como reage a essas provocações?Gostava que me chamassem isso publicamente. Gostava de desafiar qualquer padre ou qualquer bispo para um debate sobre exorcismos. Para ver quem é que tinha razão. A Igreja Católica não acredita naquilo que faz. O mal da Igreja Católica é não ter fé. Fé em quê?Antigamente qualquer padre antes de ser ordenado padre era ordenado exorcista. A partir do Vaticano II suprimiu-se isso. Agora estão a voltar novamente. No Credo diz-se que a Igreja crê na comunicação dos mortos, na ressurreição da carne e na vida eterna. Se no dia seguinte uma pessoa for dizer que viu passar uma sombra no seu quarto, o mesmo padre que rezou o Credo diz-lhe logo que é maluqueira, que é depressão. Por um lado obrigam-nos a crer, mas quando isso acontece dizem que isso não é com eles.Os nossos mortos andam aí?Há uma comunicação, uma energia. Quando uma pessoa morre fica uma energia e nós somos parte dela. Essa energia começa é a existir numa dimensão diferente. Nós também não vemos Deus, não vemos o amor, não vemos o ódio, não vemos o ar que respiramos... Há uns anos foi acusado de abuso sexual por uma cliente. O que teve isso de verdade?Não teve nada de verdade nem teve impacto nenhum. O assunto foi muito falado na comunicação social.O impacto foi positivo. Até estive para pôr um letreiro a dizer que com abuso custa tanto e sem abuso custa menos. Isso não me preocupou nada. Foi tudo encomendado pela Igreja. A pessoa já cá veio outra vez. Retiraram a queixa. Isso foi tudo orquestrado aqui por um padre barrigudo que estava habituado a receber muita gente em casa. Mas não deu resultado.Não utiliza esses métodos de penetração sexual, como o acusaram na altura?Eu uso o método de tocar as pessoas. Quando alguém tem uma energia negativa, eu tenho que a tirar. Tenho que a apanhar.E como é que isso se faz?Basta tocar na pessoa. E, graças a este poder, liberto-me facilmente. Se passar agora ali uma ambulância com um morto eu arroto logo. Há muitas pessoas que não podem ir a cemitérios, a igrejas, a grandes supermercados porque se sentem mal. Atraem tudo. São pessoas de corpo aberto. Eu sou um caso desses, infelizmente.É difícil lidar com isso?Sei controlar-me. Se for a um cemitério e passar ao pé de uma campa que tiver lá alguém enterrado que morreu com uma doença de intestinos, dói-me logo a barriga. Se foi alguém que partiu a cabeça, dói-me a cabeça. As energias passam.O senhor tira realmente o Diabo do corpo das pessoas?Não é o Diabo. Eu tiro energias negativas. Porque é raríssimo encontrar alguém que se possa dizer que está possuído pelo Diabo.Recorre ao método científico ou a rituais religiosos?Ao método científico. Isso de práticas religiosas é lá mais para Vilar de Perdizes...Mas utiliza água benta, por exemplo?Isso já utilizavam os antigos. É uma questão psicológica. O poder da água é muito forte, porque é um ser vivo, é uma energia. Agora virem com terços, com umas contecas, que não se sabe o que aquilo é… Estamos a falar de coisas diferentes. Num ribeiro sente-se a correr vida. Nas contas de um rosário obviamente que não.Nestas alturas de crise há maior procura dos seus serviços?Nota-se um bocadinho. É como o Totoloto. É nestas alturas que se vende mais jogo.O senhor é requisitado para fazer funerais católicos. A Igreja fecha os olhos a essa situação?Mas qual Igreja? Eu sou a Igreja. Quem é o bispo para me dizer que não posso fazer funerais? Nós os católicos é que pensamos que estamos mais dentro da verdade que os outros. O senhor foi excomungado?Não. Quem é que tem poder para me excomungar? Essa palavra caiu em desuso. O exorcismo é uma actividade dura?Sim. Sabe o que é estar das sete da manhã até às onze da noite a ser cuspido, a ser mordido?Já foi agredido?Muitas vezes, até por crianças. Há mesmo aquelas reacções violentas à cruz e à água benta?Muitas. Mas isso pode ser um factor psicológico.Viu o filme “O Exorcista”?Vi. Estava na América na altura.E aquilo reflecte o que se passa?Aquilo não é metade do que eu passo. Se contasse coisas que se passam em minha casa então faziam um filme vinte vezes melhor.

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