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Os homens têm mais medo das agulhas que as mulheres

Edição de 26.06.2008 | Entrevista
Há muita gente que não dá sangue por ter medo das agulhas? Há. Infelizmente há. E curiosamente são mais homens com esse problema do que mulheres. O sexo forte torna-se fraco quando enfrenta uma agulha?Nós no nosso grupo temos muitos casais em que a mulher vai dar sangue, às vezes até acompanhada pelo marido e o marido vai-se embora porque tem pavor de agulhas.Há mais dadoras que dadores?Sim. Em 1996 quando começamos com o grupo, a maioria de dadores era homens. Hoje são mais dadoras que dadores. Onde é mais fácil recolher sangue? No campo ou na cidade? Nas aldeias. As pessoas mais simples são as mais generosas e disponíveis. É também uma questão de proximidade. É mais fácil fazer chegar a informação. Numa aldeia a mensagem passa boca a boca. Quantos membros tem o grupo de Pernes?Oitocentos. Mas desses oitocentos elementos do grupo nem todos estão no activo. Dizemos que estão na reserva. E temos também membros de mérito. Todos os grupos do concelho devidamente constituídos são membros de mérito do grupo de Pernes. Assim como a Câmara de Santarém, a Misericórdia de Pernes, várias personalidades e até D. Ximenes Belo. Ele é amigo de um habitante de Pernes, foi lá e eu convidei-o. O que fazem dadores que não dão sangue?Exercem influência sobre familiares, amigos, colegas de trabalho. Nas nossas convocatórias nunca nos esquecemos de mencionar o verso do Zeca Afonso: “Traz outro amigo também”.Já não dão o litro, como se costuma dizer, mas dão sempre qualquer coisa.Mesmo os dadores não dão o litro. Dão 450 centímetros cúbicos. Agora para além dos simples dadores de sangue também são dadores de plaquetas.Em determinada altura fomos informados que ia começar a haver recolha de plaquetas, que são usadas em doentes oncológicos, em casos de leucemia, anemias graves, entre outros. O nosso grupo foi o primeiro do país a constituir-se como núcleo de dadores de plaquetas, tendo este tipo de dádivas começado em 2001.Não é um processo tão simples como dar sangue.Uma dádiva de plaquetas demora cerca de uma hora, enquanto a de sangue tem a duração de 5 a 10 minutos. A dádiva é feita através de um aparelho por onde passa o sangue do dador, extraindo as plaquetas. Tirado esse componente o sangue volta a entrar no dador pelo outro braço.É muito raro o dador saber quem vai receber o seu sangue.Já aconteceu mas por mero acaso. Uma enfermeira notou que o sangue que ia ser utilizado numa transfusão para uma pessoa de Pernes, era de um dador de Pernes. Foi em Lisboa. Mas é raríssimo. Ainda lhe aparecem pessoas a tentar vender sangue? Agora já não. As pessoas estão informadas. A única compensação que a lei prevê é que todas as pessoas que doem sangue duas vezes em cada período de 365 dias não pagam taxas moderadoras. É uma forma de reconhecimento.E dispensa no trabalhoO dador tem direito ao dia mas a maior parte das pessoas não utiliza. Veja o caso de O MIRANTE. As pessoas que trabalham no jornal vão dar sangue e a seguir vão trabalhar. E acontece o mesmo com muitos outros trabalhadores. Os dadores que trabalham no tribunal, por exemplo. Se calhar são mais os que não gozam essa regalia que os que a gozam. O Instituto Português do Sangue também instituiu galardões para dadores. Para quem dá dez vezes, vinte, quarenta, sessenta, oitenta e cem vezes. Já vai em quantas?Eu tenho 47 dádivas, provavelmente já não chego aos 100.E contaram as duas que deu quando estava na tropa.Contaram. Estavam registadas.Não deixa escapar uma. Tem a contabilidade sanguínea bem organizada. O seu grupo tem alguém que esteja perto das cem dádivas? O ano passado na recolha feita nas instalações de O MIRANTE, esteve o senhor Joaquim Luís que tinha oitenta. Mas deixou de dar sangue por ter ultrapassado os 65 anos de idade.De vez em quando surgem apelos nos jornais, na internet e nos telemóveis, pedindo às pessoas para irem dar sangue, geralmente para uma criança. Esses apelos são falsos. Portugal é auto-suficiente em matéria de sangue. E quando é necessário sangue quem é avisado são os familiares e eles devem recorrer aos serviços de sangue dos hospitais. Não devemos dar crédito a esses apelos.Nas recolhas de sangue, por vezes há um ou outro dador que desmaia. Porquê? Muitas vezes as pessoas não comem antes de ir dar sangue. E podem comer.Podem e devem. Para fazer análises é que não. Mas para dar sangue sim.Já lhe aconteceu aparecer alguém para dar sangue e depois de se inscrever e ser observada pelo médico, desistir? Raramente acontece. Quando as pessoas vão, vão mesmo. E até há casos contrários. Uma vez houve um problema de falta de material e as pessoas aguentaram algumas horas até o material vir de Lisboa. Eram cerca de duas dezenas e só uma desistiu.Como estão organizados os grupos de dadores? Actualmente há duas federações de dadores de sangueDuas. Este país é complicado. Até os dadores de sangue estão divididos. Queriam dar mais sangue que os outros? Problemas de capelinhas? As pessoas das duas federações dão sangue com a mesma boa vontade!Sem dúvida!Ainda bem que assim é. Que venham então mais federações e que façam concursos para ver quem arranja mais dadores. Para ver quem dá mais. Se calhar é uma boa ideia esta da concorrência. E aqui a concorrência é mesmo saudável porque se trata de algo que concorre para a melhoria da saúde dos portugueses. (Risos) Isso é bem verdade.

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