
Refrescante Serafim das Neves
Gostei da foto do anjo negro do teu último e-mail. Faltou-lhe um cigarro nos lábios carmim e um frade pançudo de olhar lúbrico, em cima de um oratório. Reminiscências da minha formação católica, apostólica e romana. Lembro-me de escoltar a minha tia Lurdes nas excursões dominicais para ouvir o padre novo. Quando era o padre velho a rezar a missa ela dava folga à sua religiosidade. Durante a celebração, na altura em que o vigoroso pároco simulava um êxtase, assentando os olhos no decote da ardente devota, ao mesmo tempo que emborcava o cálice sagrado repleto de Porto Ferreirinha especial para missas, ela fraquejava das pernas e agarrava-se a mim com tal fervor que eu até fervia. Fervia até à asfixia. E se ela cheirava bem!! A flores exóticas. À madeira envernizada dos crucifixos. A Chanel nº 2. Abençoados sejam todos os marmanjos que, como eu, tiveram a felicidade de sentir no nariz, nas bochechas e nas orelhas o roçagar das rendas de vestidos escuros e vaporosos e a comichão dos murmúrios em latim. Amen!Desculpa o parágrafo místico. Não era destas devoções que te queria falar mas com a história da beata que provocou o incêndio lá para os lados da Azambuja, veio-me um cheiro a incenso das brumas da memória. Mas já recuperei e digo-te que concordo com a tua teoria. À falta de hereges para o churrasco, são os pinheirais que pagam o radicalismo das beatas. Resta-me apenas saber se, no caso do fogo posto de Azambuja, a beata estava a fumar ou se estava a ser fumada. Espero resposta dos investigadores.Os presidentes de câmara dos concelhos da Lezíria do Tejo continuam a divertir-se com as suas tropelias. Agora os 7 magníficos da Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo (CULT) que ganharam umas massitas dos fundos comunitários para águas e saneamento, fazem momices ao Cartaxo e a Santarém. Eu gosto muito deste aspecto lúdico da gestão autárquica. Nhó, nhá, nhó, nhá-nhã. Ganhámos!! Dizem eles em conferência de imprensa. E os outros respondem na mesma moeda. Fró-fru-frã nhá-nhã, não doeu nada!! Ainda bem que por estes lados não há políticos cinzentões. Assim, sim! Até dá gosto viver em democracia. E para todos aqueles que esperam por águas, esgotos e estações de tratamento há sempre a possibilidade de contarem anedotas sobre o cheirete que têm que suportar. Imagino a risota que vai nas tabernas de algumas aldeias quando o vento sopra de feição. “Foi o Roscas! Fujam! Este gajo é pior que a Bomba Antónia quando tem a panela de escape avariada!!”. E logo algum mais erudito e politizado: “Embrulha e manda para a CULT!!”. Eh!Eh!Eh!Em Foros de Salvaterra anda uma azáfama de voluntários a pôr de pé uma casa para uma família a quem foram retirados os filhos por falta de condições de habitabilidade. Eu sou pela solidariedade e essas coisas todas. Mas também sou pelas soluções práticas e rápidas. Então não bastava que os pais dos miúdos se declarassem ciganos para que tudo se resolvesse a contento?!! Vê lá tu se a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens tira alguma criança à comunidade cigana por falta de condições de habitação?! É o tiras!!! Eu sei que vou levar na cabeça por causa desta terminologia troglodita, mas o que querem?! Não me consigo habituar a dizer nómadas em vez de ciganos. Não me dá jeito…sei lá. O Vasco Graça Moura também não se consegue habituar ao português do acordo ortográfico e não é por isso que deixa de ser recebido pelo Presidente da República, não é??!! Um abraço em DVD com legendas em tailandês do Manuel Serra d’Aire

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