CERCI da Azambuja prepara terapia com burros de Miranda do Corvo
Projecto inovador está a ser implementado com dinheiro ganho num concurso
A Cerci de Azambuja vai iniciar em 2009 um projecto inovador de terapia com burros de Miranda do Corvo. A asinoterapia e asinomediação vão ajudar as crianças com deficiência no concelho.Ver Vídeo em: http://www.omirante.pt/omirantetv/index.asp?idgrupo=2&IdEdicao=54&idSeccao=514&id=25102&Action=noticia
A Cerci – Flor da Vida da Azambuja, instituição que acolhe e apoia crianças e jovens com deficiência dos concelhos de Alenquer, Azambuja, Vila Franca de Xira e Cartaxo, vai iniciar no próximo ano uma terapia inovadora na região que usa o burro como instrumento terapêutico. Chama-se asinoterapia e também inclui a asinomediação. A instituição vai ter à disposição 30 mil euros para gastar na implementação do projecto, fruto de uma vitória recente num concurso televisivo (ver caixa). Os burros escolhidos para terapeutas são de raça mirandesa, uma raça única em Portugal e que está ameaçada de extinção.A asinoterapia consiste no uso do burro como instrumento de interactividade entre o ser humano e o animal. O contacto com o pêlo, a temperatura do corpo e a actividade do próprio animal permitem aos técnicos de educação especial tentar corrigir problemas de postura ou comportamentais nas crianças com deficiência, ao mesmo tempo que ajuda o utente a aumentar a motivação, o bem-estar e a participação, em especial, nas actividades lúdico-pedagógicas. A asinomediação é praticamente idêntica à asinoterapia, com a diferença de não necessitar de uma equipa multi-disciplinar, composta por um psicólogo e um terapeuta, como sucede no cenário anterior.“Existem muitas terapias com animais, sobretudo com cavalos e golfinhos. Nós escolhemos o burro, um animal afável e pachorrento, que pode trazer muitos benefícios sociais e educacionais”, explica Nelson Pereira, técnico superior de educação especial e um dos responsáveis pelo projecto.“Escolhemos o burro mirandês por ser uma raça ameaçada de extinção e ser a única que está registada em Portugal. Para além disso, o mirandês tem um temperamento dócil, muito pêlo, uma boa temperatura do corpo e é muito calmo nos movimentos. Tem os atributos ideais para estes doentes, algo que o burro aqui da região não tem”, acrescenta.A implementação deste projecto é algo que está na cabeça da direcção da instituição há vários anos. A aquisição destes três burros mirandeses, duas fêmeas e um macho, significará um investimento na casa dos cinco mil euros.“Já há algum tempo que esta direcção tem a ideia de realizar terapia com burros. Aliás quando concorremos ao programa já estávamos a remodelar as instalações. Já tínhamos terraplanado um terreno e instalado algumas acessibilidades. Mas com os 30 mil euros vamos poder fazer um espaço muito melhor, com um pórtico que permitirá que a terapia se realize durante todo o ano, vamos construir boxes especiais para os burros e vamos adquirir todo um leque de acessórios necessários para a terapêutica. Para além de tudo isso, vamos também contribuir para a preservação da espécie”, refere Carlos Neto, presidente da Cerci.Nesta nova terapêutica podem participar pessoas de todas as idades, desde crianças com deficiência até idosos de lares e retiros da região.Vinte e oito anos a servir as pessoas com deficiênciaA Cerci – Flor da Vida nasceu a 30 de Maio de 1980, na Quinta das Rosas, Azambuja. É uma instituição de ensino especial para pessoas com deficiência e tem actualmente várias valências, sobretudo na área sócio-educativa, formação profissional, serviço integrado de intervenção precoce e actuação directa na área de residência. Tem parcerias com agrupamentos de escolas dos concelhos de Azambuja, Alenquer, Vila Franca de Xira e Cartaxo e serve quase 130 jovens. Sobrevive com um orçamento “apertado” e por isso todas as ajudas são bem vindas, como acontece com as recolhas do banco alimentar, que servem para auxiliar as quase 200 refeições diárias da instituição. A Cerci tem nos seus quadros 52 funcionários, alguns deles são novos técnicos que chegaram para atender ao projecto de asinoterapia.Dinheiro para investir foi ganho num concursoA Cerci da Azambuja foi a grande vencedora, no distrito de Lisboa, do programa da SIC “a nossa terra quer”, um programa que visa premiar projectos inovadores de cariz social nos diversos distritos nacionais. O prémio, de 30 mil euros, vai ser usado na concretização do projecto de asinoterapia e asinomediação que a Cerci já tinha em mente. Juntamente com a instituição da Azambuja (que ganhou com 65,8 por cento dos votos dos telespectadores), concorreram também os projectos do Lusitano Clube e do Centro Social do Sobralinho. “Ficámos muito satisfeitos por ter ganho, apesar de sempre termos pensado que tínhamos boas condições para vencer”, refere a O MIRANTE Carlos Neto, presidente da instituição.
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