Hospital de Santarém acaba com clínica privada no piso 10
Empresa Surgimed tem que sair do espaço até final de Junho do próximo ano
Administração do Hospital de Santarém diz que ainda não está definida a utilização a dar ao piso 10, mas justifica a não renovação do contrato de aluguer aos privados com o facto da unidade necessitar do espaço.
A clínica privada do piso 10 do Hospital de Santarém vai fechar. A administração da unidade hospitalar decidiu não renovar o contrato de concessão e a Surgimed tem que deixar as instalações até ao final de Junho de 2009, depois de vários anos a utilizar essa área das instalações hospitalares. Com esta decisão a empresa não vai ter condições para continuar com algumas valências como as cirurgias que impliquem internamentos. A alternativa mais viável neste momento é a empresa vir a negociar a utilização de parte do Hospital de Torres Novas, apesar de não existirem negociações nesse sentido.O gestor da Surgimed, Jorge Tomé, diz que o fim da concessão deve vir a implicar a rescisão de contratos de trabalho com alguns profissionais da empresa, sobretudo ao nível do pessoal não especializado, como auxiliares, funcionários da área do refeitório entre outros. O responsável da empresa garante que não foi dada qualquer explicação para a não renovação do contrato, mas também realça que a administração do hospital não tinha que o fazer nem a Surgimed está em posição de exigir justificações. Segundo o presidente do conselho de administração do Hospital Distrital de Santarém (HDS), a decisão prende-se com as necessidades da unidade de saúde. José Josué refere que a realidade do hospital é diferente daquela que existia há 12 anos, quando se decidiu entregar o devoluto piso 10 para exploração de privados. “As necessidades do hospital nessa altura eram diferentes. Aquele era um espaço vazio, sem utilidade, mas hoje temos novas necessidades”, justifica. José Josué garante que neste momento ainda não está definida qual vai ser a utilização a dar àquele piso que vai ficar vago. Mas sempre vai adiantando que o espaço deve ser utilizado para o alargamento das áreas das medicinas e cirurgias. O MIRANTE sabe que há algum tempo que os responsáveis pelas valências de medicina, a funcionar no piso 9, têm vindo a queixar-se da falta de espaço e da necessidade de poderem ocupar um espaço maior do que aquele que dispõem actualmente. O presidente do conselho de administração do HDS diz que a não renovação do contrato de aluguer das instalações foi tratada com a Surgimed da mesma forma cordial como decorreram até agora as relações entre as duas entidades. Mas o que é certo é que esta situação deixa a empresa numa situação complicada, sobretudo porque esta tem um acordo com o Ministério da Saúde para a redução das listas de espera de cirurgia. E sem uma unidade de internamento como tem tido no piso 10 vai ser difícil contribuir. A Surgimed pretende continuar a fazer cirurgias de ambulatório e está a tentar arranjar um espaço para o efeito, mas as grandes cirurgias vão para já ficar pelo caminho. A juntar a isto há o facto da população da região, como salienta Jorge Tomé, perder uma alternativa na área da saúde. Mas ainda há uma hipótese para já remota. Com a reorganização das urgências nas unidades do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) o Hospital de Torres Novas vai ficar mais liberto (ver texto nesta edição) e pode ser um atractivo para a empresa. Jorge Tomé admite essa situação mas realça que isso não passa de uma ideia. O presidente do conselho de administração do CHMT, António Andrade, não descarta a possibilidade de negociar com privados, mas garante que neste momento não há nada de concreto nem ninguém colocou essa situação a discussão.
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